Cinema

Mostra no CCBB reúne filmes portugueses da última década

Uma retrospectiva do cinema português da última década ocupa o cinema do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB) de 6 de julho a 15 de agosto, com foco em títulos produzidos no país que  obtiveram êxito internacional. Com curadoria de Pedro Henrique Ferreira, a mostra De Portugal para o Mundo reunirá 28 filmes, entre longas e curtas, em exibição somente presencial e gratuita.

Um dos destaques é o inédito Vitalina Varela (2019, foto no alto), de Pedro Costa. O longa fez bela carreira por festivais de cinema nacionais (como os de Faro e Coimbra) e internacionais, levando prêmios em Chicago, Dublin, Gijón, Mar del Plata e  Locarno, onde saiu com o Leopardo de Ouro e o prêmio de melhor atriz para a própria Vitalina Varela.

Também premiado e igualmente merecedor de atenção é A Fábrica de Nada (2017), de Pedro Pinho, que saiu do Festival de Cannes com o Prêmio Fipresci, dado pela Federação Internacional de Críticos de Cinema — uma curiosidade é a inclusão de várias músicas brasileiras na trilha sonora.

A programação de De Portugal para o Mundo inclui ainda filmes emblemáticos, como A Portuguesa (2019), de Rita Azevedo Gomes; o belíssimo Tabu (2012), de Miguel Gomes; e um exemplar do veterano Manoel de Oliveira, O Estranho Caso de Angélica (2010).

Pedro Henrique Ferreira explica que a escolha por exibir filmes de Manoel de Oliveira foi, em parte, por ter sido um diretor que, mesmo centenário, realizou grandes filmes nesta década. O cineasta morreu em 2015, aos 107 anos e, depois de Angélica, realizou O Gebo e a Sombra (2012) e vários curtas.

“Também é uma homenagem ao diretor mais importante da história do cinema português, a uma ideia de Portugal, e que certamente deixou um legado enorme aos mais jovens”, diz o curador, que é crítico, diretor, roteirista, produtor e colaborador da revista Cinética.

De Portugal para o Mundo terá ainda dois debates temáticos, dias 13/7 e 5/8, com participação de pesquisadores brasileiros e portugueses, e um bate-papo com o diretor Manuel Mozos, do longa Ramiro, no dia 8/7, às 16h. Essas atividades serão por videoconferência, online, abertos e gratuitos.

Confira  a programação completa 

6/7 (terça-feira)
20h – Understory, de Margarida Cardoso, 2019, Cor, 81 minutos, 12 anos. Desconstruindo a história da exploração na época colonial, o filme mostra as possíveis formas de o cacau ter sido utilizado sem opressão, injustiça e exploração exagerada. Nessa jornada, majoritariamente, as pessoas que fazem a diferença nesse processo são as mulheres. Trailer.

7/7 (quarta-feira)

18h30 – E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto, 2013, Cor, 164 minutos, 16 anos. Joaquim Pinto convive com HIV e hepatite C há quase 20 anos. O filme é o caderno de anotações de um ano de ensaios clínicos com drogas tóxicas e ainda não aprovadas. Num vai e vem entre o presente e o passado, é também um tributo aos amigos que partiram e aos que permanecem. Trailer.

8/7 (quinta-feira)
16h – Bate-papo online com o diretor Manuel Mozos, de Ramiro, pelo aplicativo Zoom, Livre.
19h30 – O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues, 2016, Cor, 118 minutos, 14 anos. Um homem solitário de 40 anos que trabalha como ornitólogo viaja pelo curso de um rio a bordo de um caiaque. Quando a correnteza forte derruba sua pequena embarcação, ele inicia uma jornada sem volta e repleta de perigos. Trailer.

9/7 (sexta-feira)
19h30 – A Árvore, de André Gil Mata, 2018, P&B e Cor, 104 minutos, 12 anos. Um homem que quer esquecer seu passado e uma criança que não sabe lidar com o presente se encontram sob uma árvore na beira de um rio, compartilhando a mesma memória e o mesmo segredo. Trailer.

10/7 (sábado)
20h30 – Curtas 2
O Corcunda, de Gabriel Abrantes e Ben Rivers, 2016, 29 minutos, Cor, 14 anos
Ascensão, de Pedro Peralta, 2016, 17 minutos, Cor, 16 anos
Redenção, de Miguel Gomes, 2013, 26 minutos, Cor e P&B, Livre

11/7 (domingo)
17h – Curtas 3
Como Fernando Pessoa salvou Portugal, de Eugene Green, 2018, 26 minutos, Cor, 14 anos
O Velho do Restelho, de Manoel de Oliveira, 2014, 19 minutos, Cor, 10 anos
O Mar Enrola na Areia, de Catarina Mourão, 2019, 15 minutos, P&B, Livre
19h00 – A Portuguesa, de Rita Azevedo Gomes, 2019, Cor, 136 minutos, 12 anos. Durante a disputa pelo domínio do Principado Episcopal de Trento, no norte da Itália, Lorde von Ketten viaja a Portugal para encontrar uma esposa. De volta à Itália, ele parte novamente para a guerra e sua esposa tenta fazer da morada da família um castelo pouco aconchegante, um lar. Trailer.

13/7 (terça-feira)
17h30 – Debate online – Imagens do Estado Novo – pelo aplicativo Zoom, Livre.
20h30 – Fantasia Lusitana, de João Canijo, 2010, P&B e Cor, 66 minutos, 14 anos. Documentário explora a relação do povo português com os estrangeiros refugiados da segunda guerra mundial, a forma como a sua estadia no nosso país influenciou (ou não) o nosso olhar sobre a guerra, e uma procura pela herança cultural deixada (ou não) pela sua passagem. Trailer.

14/7 (quarta-feira)
18h30 – É na Terra, Não É na Lua, de Gonçalo Tocha, 2011, Cor, 180 minutos, Livre.  Um operador de câmara e um técnico de som chegam ao Corvo em 2007, a ilha mais pequena do arquipélago dos Açores, e pouco a pouco vão sendo aceitos pela população da ilha, cuja história é difícil reconstruir, tal é a falta de registos e memórias escritas. Trailer.

15/7 (quinta-feira)
19h30 – Tabu, de Miguel Gomes, 2013, P&B, 118 minutos, 12 anos. Aurora, uma idosa de opiniões contraditórias, convive com uma empregada cabo-verdiana e uma amiga engajada em causas sociais. Após sua morte, fatos obscuros de seu passado surgem, e as companheiras de Aurora conhecem sua trágica aventura na África. Trailer.

16/7 (sexta-feira)
19h30 – Eldorado XXI, de Salomé Lamas, 2016, Cor, 125 minutos, 12 anos. Um número incontável de pessoas mora num lugar inóspito nos Andes Peruanos e trabalha em condições muito precárias, esperando encontrar ouro e uma vida melhor. Trailer.

17/7 (sábado)
17h – Volta à Terra, de João Pedro Plácido, 2014, Cor, 78 minutos, 16 anos. O jovem pastor Daniel tenta trazer de volta as práticas de seus antepassados enquanto sonha encontrar o amor da sua vida. Trailer.
19h30 – A Vida Invisível, de Vítor Gonçalves, 2013, Cor, 73 minutos, 12 anos.  Um servidor público é tomado por imagens de misteriosos filmes de 8 milímetros que encontrou na casa de seu chefe, depois deste ter falecido. Trailer.

18/7 (domingo)
18h30 – Curtas 1
Nyo Vweta Nafta, de Ico Costa, 2017, 22 minutos, Cor, 16 anos
Farpões, Baldios, de Marta Mateus, 2017, 25 minutos, Cor, 12 anos
Balada de um Batráquio, de Leonor Teles, 2016, 12 minutos, Cor, 12 anos
20h30 – Fantasia Lusitana, de João Canijo, 2010, P&B e Cor, 66 minutos, 14 anos

20/7 (terça-feira)
19h30 – Ramiro, de Manuel Mozos, 2017, Cor, 104 minutos, 14 anos. Dono de uma loja de livros usados em Lisboa e poeta enfrenta bloqueio criativo e vive frustrado, dividido entre a loja e a taverna, acompanhado por seu cão, seus companheiros de bebida e vizinhos. Trailer.

21/7 (quarta-feira)
20h – Volta à Terra, de João Pedro Plácido, 2014, Cor, 78 minutos, 16 anos

22/7 (quinta-feira)
19h – A Portuguesa, de Rita Azevedo Gomes, 2019, Cor, 136 minutos, 12 anos

23/7 (sexta-feira)
19h30 – O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues, 2016, Cor, 118 minutos, 14 anos

24/7 (sábado)
18h – Fordlandia Malaise, de Susana de Sousa Dias, 2019, 40 minutos, P&B, 10 anos.  Um filme sobre a memória e o presente de Fordlandia, a cidade-indústria construída por Henry Ford na floresta amazônica em 1928. O filme reúne imagens de arquivo, drones, testemunhos, contos e narrativas, mitos e canções. Trailer.
19h30 – Ramiro, de Manuel Mozos, 2017, Cor, 104 minutos, 14 anos

25/7 (domingo)
18h30 – Fordlandia Malaise, de Susana de Sousa Dias, 2019, 40 minutos, P&B, 10 anos
20h – John From, de João Nicolau, 2015, Cor, 100 minutos, Livre.  A rotina de Rita muda quando ela vai à exposição de um novo vizinho no centro comunitário local e se aproxima dele, por meio de uma sucessão de eventos muitos precisos e silenciosos. Trailer.

27/7 (terça-feira)
18h – Curtas 1
Nyo Vweta Nafta, de Ico Costa, 2017, 22 minutos, Cor, 16 anos
Farpões, Baldios, de Marta Mateus, 2017, 25 minutos, Cor, 12 anos
Balada de um Batráquio, de Leonor Teles, 2016, 12 minutos, Cor, 12 anos
20h – Understory, de Margarida Cardoso, 2019, Cor, 81 minutos, 12 anos

28/7 (quarta-feira)
18h – Bate-papo online com o diretor Vitor Gonçalves, de A Vida Invisível, pelo aplicativo Zoom, Livre
19h30 – A Vida Invisível, de Vítor Gonçalves, 2013, Cor, 73 minutos, 12 anos

29/7 (quinta-feira)
18h30 – E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto, 2013, Cor, 164 minutos, 16 anos

30/7 (sexta-feira)
19h30 – Tabu, de Miguel Gomes, 2013, P&B, 118 minutos, 12 anos

31/7 (sábado)
17h – Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, 2016, P&B, 105 minutos, 14 anos. Uma compilação de cartas que António Lobo Antunes (na altura um jovem soldado português destacado para Angola) escreveu à esposa durante serviço em Angola na década de 1970. Trailer.
19h30 – Eldorado XXI, de Salomé Lamas, 2016, Cor, 125 minutos, 12 anos

1/8 (domingo)
19h30 – Pré-estreia: Vitalina Varela, de Pedro Costa, 2019, Cor, 124 minutos, 12 anos
Vitalina Varela, 55 anos, cabo-verdiana, chega a Portugal três dias depois do funeral do marido. Há mais de 25 anos que Vitalina esperava o seu bilhete de avião. Trailer.

3/8 (terça-feira)
19h00 – Colo, de Teresa Villaverde, 2017, Cor, 136 minutos, 14 anos.  Família de classe média passa por grave crise financeira. Enquanto os pais se tornam estranhos um ao outro, a filha adolescente, negligenciada por ambos e cheia de segredos, começa a se rebelar. Trailer.

4/8 (quarta-feira)
19h30 – Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, 2016, P&B, 105 minutos, 14 anos

5/8 (quinta-feira)
18h – Debate online – A Palavra e o Quadro – pelo aplicativo Zoom, Livre. (evento com tradução simultânea em libras)
19h30 – A Árvore, de André Gil Mata, 2018, P&B e Cor, 104 minutos, 12 anos
(sessão com audiodescrição e legenda descritiva)

6/8 (sexta-feira)
19h30 – O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira, 2010, Cor, 97 minutos, 12 anos. Os limites entre a fantasia e a realidade se confundem para um fotógrafo que se apaixona por uma noiva morta que ganha vida através das lentes de sua câmera fotográfica. Trailer.

7/8 (sábado)
18h30 – A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, 2017, Cor, 177 minutos, 14 anos. Em uma fábrica portuguesa, funcionários começam a notar que, a cada dia, máquinas e matérias-primas somem do complexo industrial. Logo, descobrem que os próprios patrões são os responsáveis pelos roubos. Para mudar a situação, decidem permanecer na fábrica até os roubos cessarem. Trailer.

8/8 (domingo)
18h30 – É na Terra, Não É na Lua, de Gonçalo Tocha, 2011, Cor, 180 minutos, Livre

10/8 (terça-feira)
20h30 – Curtas 2
O Corcunda, de Gabriel Abrantes e Ben Rivers, 2016, 29 minutos, Cor, 14 anos
Ascensão, de Pedro Peralta, 2016, 17 minutos, Cor, 16 anos
Redenção, de Miguel Gomes, 2013, 26 minutos, Cor e P&B, Livre

11/8 (quarta-feira)
19h – Colo, de Teresa Villaverde, 2017, Cor, 136 minutos, 14 anos

12/8 (quinta-feira)
18h –  Curtas 3
Como Fernando Pessoa Salvou Portugal, de Eugene Green, 2018, 26 minutos, Cor, 14 anos
O Velho do Restelho, de Manoel de Oliveira, 2014, 19 minutos, Cor, 10 anos
O Mar Enrola na Areia, de Catarina Mourão, 2019, 15 minutos, P&B, Livre
20h – John From, de João Nicolau, 2015, Cor, 100 minutos, Livre

13/8 (sexta-feira)
18h30 – A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, 2017, Cor, 177 minutos, 14 anos

14/8 (sábado)
19h30 – Vitalina Varela, de Pedro Costa, 2019, Cor, 124 minutos, 12 anos

15/8 (domingo)
19h30 – O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira, 2010, Cor, 97 minutos, 12 anos

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