Música

Marisa Monte traz otimismo e leveza ao momento em ‘Portas’

Em um momento dominado por assuntos pesados como pandemia, morte, desgoverno e possibilidade ou não de impeachment, o disco que Marisa Monte lançou nesta sexta-feira (2/7), Portas, vem como um sopro de leveza, pontuado aqui e ali por mensagens de otimismo. Se fosse necessário criar um rótulo para ele seria “música de conforto”.

Portas é um disco de audição fácil e agradável. Transcorre numa rapidez impressionante porque soa familiar, melodias e letras se encaixam facimente no ouvido. Pode não significar nenhum avanço significativo dentro da obra da artista, mas é não menos que primoroso em seus detalhes.

Marisa Monte tem carreira peculiar. Lançou-se como cantora cult, ganhou popularidade entre um público mais amplo, só aparece na mídia paa falar de seu trabalho, faz a mesma coisa nas redes sociais, não se apressa em lançar disco frequentemente, mas de acordo com seu próprio tempo…

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Portas é primeiro disco de inéditas em dez anos (o último foi O que Você Quer Saber de Verdade, de 2011, mas teve também um trabalho dos Tribalistas, projeto paralelo dela com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, em 2017).

E embora o novo álbum chegue num momento complicado, não esperem nenhum eco desse caos. Pelo menos, não explícito. Nas 16 músicas do disco, a cantora e compositora  prefere contribuir usando seu canto de sereia como um acalento para os ouvintes. E faz isso muito bem.

Se alguém buscar algum tom político talvez encontre em Portas (dela, Antunes e Dadi), que abre o disco. A letra pode ter múltiplas interpretações, mas cabe muito bem como referência aos pensamentos restritos — sejam de direita ou de esquerda — que nos trouxeram à polarização em que nos encontramos.

Em síntese, a música pergunta: por que escolher uma porta só em um corredor cheio de portas? A partir daí, o disco viaja por um clima já conhecido na obra de Marisa Monte, remetendo principalmente ao tom positivo de Infinito Particular e O que Você Quer Saber de Verdade.

Marisa lança o olhar para um futuro melhor, mesmo que não seja referência direta à situação atual. “Calma, eu já estou pensando no futuro, já estou driblando a madrugada (…) Eu não tenho medo do escuro, sei que logo vem a alvorada”, diz em Calma. “Eu não tenho medo do amanhã (…) Eu não tenho medo do perigo, sigo”, repete em Medo do Perigo (as duas faixas dela e Chico Brown)

Cinco faixas são compostas pela cantora em parceria com o filho de Carlinhos); três com Marcelo Camelo e as demais com parceiros diversos, como Arnaldo Antunes, Dadi, Pretinho da Serrinha, Nando Reis… Mas é a marca de Marisa Monte que fica.

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