Música

5 discos nacionais lançados há 50 anos que desafiam o tempo

Em 1971, o Brasil , então governado pelo general do Exército Emilio Garrastazu Médici, vivia tempos bastante nublados. Mas mesmo em situação adversa, a música brasileira conseguia continuar produzindo obras de alta qualidade — da mesma forma que acontece hoje, a despeito de pandemia e desgoverno.

Exemplo são estes cinco discos que completam meio século de existência sem perder o brilho. Ao longo de cinco décadas, eles ganharam admiradores entre nova gerações, tiveram faixas regravadas, são citados em listas de discos obrigatórios e conseguem emocionar hoje com a mesma intensidade de 50 anos atrás.

Uma curiosidade é que, coincidentemente, três deles (os de Gal Costa, Chico  Buarque e Nara Leão) têm produção assinada por Roberto Menescal, revelando a versatilidade do violonista, maestro e compositor, cujo nome é usualmente associado apenas à Bossa Nova

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Gal Fa-Tal, de Gal Costa
Enquanto Caetano Veloso e Gilberto Gil viviam o exílio em Londres, Gal Costa fazia uma série de apresentações do show Fa-Tal, no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, sob direção de Wally Salomão. A temporada rendeu um disco que virou clássico. Mesmo com limitações técnicas na gravação ao vivo, o registro consegue transmitir toda intensidade do canto límpido de Gal, em canções como Vapor Barato, Mal Secreto (as duas de Jards Macalé e Wally Salomão), Sua Estupidez (Roberto e Erasmo Carlos), Pérola Negra (Luiz Melodia) e Como Dois e Dois (Caetano Veloso).

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Roberto Carlos (1971), de Roberto Carlos
Em seu disco de 1971, Roberto Carlos abandonava de vez as aventuras juvenis da Jovem Guarda para se firmar como cantor romântico, admirado por um público mais adulto. Chama a atenção a influência da música black americana, sobretudo em faixas como Todos Estão Surdos e Eu Só Tenho um Caminho. Outras canções marcantes saídas deste disco são Detalhes, Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos, Amada Amante (todas dele e Erasmo) e, também, Como Dois e Dois. 

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Tim Maia  (1971), de Tim Maia
Um disco que exigiu de Tim Maia a maior responsabilidade, afinal ele tinha vendido 200 mil cópias e levado um Disco de Ouro com seu LP de estreia, lançado no ano anterior. O cantor, que despontava ao mesmo tempo em que surgia no Rio de Janeiro os bailes funk (então, com funk music, soul e black), mandou tão bem que até hoje não há quem, independentemente de idade, não conheça Você, Não Vou Ficar, Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar) — as três do próprio Tim — e A Festa de Santo Reis (Márcio Leonardo). 

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Construção, de Chico Buarque
Chico compôs as músicas de Construção entre o exílio na Itália e a volta ao Brasil, dando ênfase às críticas políticas e sociais. Falava do exílio em Samba de Orly , da censura em Cordão, das injustiças sociais em Construção e Deus lhe Pague, mas, sem perder a ternura jamais, também cantava o afeto em Valsinha e Cotidiano — todas dele sozinho, exceto Samba de Orly, parceria com Toquinho e Vinicius de Moraes, e Valsinha, que fez com Vinicius.

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Dez Anos Depois, de Nara Leão
Foi também no exílio, em Paris, que Nara gravou este disco, em que faz as pazes com a Bossa Nova, após longo período no qual tentou a todo custo desvincular seu nome do movimento. Não é o disco mais conhecido dela, mas é o mais representivo de sua relação com a bossa. A sonoridade típica do gênero e o repertório de clássicos rendem uma obra atemporal, uma antologia que pode ser ouvida ainda hoje (de preferência, na paz de uma rede) sem nenhuma defasagem de tempo.

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