Visuais

O olhar de 18 fotógrafos latino-americanos sobre a Covid-19

Por Inês Dell’erba
Publicado originalmente no Media Talks

O coletivo Covid Latam, formado por 18 fotógrafos da América Latina, ganhou o prêmio FotoEvidence Book Award – World Press Photo 2021 com fotos que documentam, desde março de 2020, os efeitos da pandemia no dia-a-dia das comunidades mais vulneráveis da região, suas crises e o aprofundamento das desigualdades sociais.

O prêmio FotoEvidence Book Award – World Press Photo reconhece anualmente um projeto que demonstre coragem e compromisso para documentar  temas como violação dos direitos humanos, injustiças ou atentados à dignidade humana.

O coletivo que venceu a edição 2021 reúne fotojornalistas de 14 países latino-americanos: Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Bolívia, Brasil, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Peru, Uruguai e Venezuela. Entre os vencedores estão a carioca Ana Carolina Fernandes e os paulistas Victor Moriyama e Rafael Vilela.

Juntos, os 18 fotógrafos reuniram mais de 900 imagens muito marcantes, que mostram o drama de famílias em quarentena, enchentes, tumultos, incêndios e funerais, e também a luta contra o isolamento, a solidão e a ansiedade.

O projeto, premiado também pelo Picture of The Year (POY Latam)vai virar um livro que será lançado em Amsterdã, durante a próxima edição do World Press Photo, e também em Nova York, no Bronx Documentary Center.

O título do livro – Red Flag – foi inspirado por um gesto que nasceu na Colômbia durante a pandemia. As famílias mais pobres colocam na frente das casas uma bandeira vermelha que sinaliza um pedido de ajuda. É justamente esse flagrante que abre a seleção abaixo de dez das fotos premiadas — veja fotos de todos os integrantes do Coletivo Latam na publicação do Media Talks.

FEDERICO RIOS – COLÔMBIA
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Coletivo Covid Latam – Colômbia – Federico Rios

A bandeira vermelha pendurada na janela representa um pedido de socorro, nesta casa fotografada na capital Bogotá em 3 de abril de 2020. O pano vermelho mostra a quem puder ajudar que os moradores não têm comida e nenhum dinheiro para comprar alimentos durante o isolamento obrigatório.

VICTOR MORIYAMA – BRASIL
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Coletivo Covid Latam – Victor Moriyama -The New York Times, São Paulo

Nesta foto publicada no The New York Times, moradores do Edifício Copan batem panelas em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro, em 18 de março de 2020. No dia anterior, havia sido confirmada a primeira morte de um brasileiro pela Covid-19, num hospital da cidade de São Paulo. Três meses depois, o Ministério da Saúde mudou a data da primeira morte para 12 de março, mas na mesma capital paulista.

ANA CAROLINA FERNANDES – BRASIL
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Coletivo Covid Latam – Brasil – Ana Carolina Fernandes

O flagrante mostra o protesto marcante da ONG Rio de Paz no 11 de junho de 2020. Cruzes foram fincadas na praia de Copacabana, a mais famosa do Rio de Janeiro, para homenagear os brasileiros mortos pela Covid-19, que àquela altura já somavam 40 mil.

RAFAEL VIVELA – BRASIL
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Coletivo Covid Latam – Brasil – Rafael Vilela

Esta vista aérea mostra a imensidão de covas abertas no cemitério paulista de Vila Formosa, que se tornou internacionalmente conhecido após a explosão de mortes no Brasil. A escavação de sepulturas em série se tornou uma prática comum no local, que na ocasião presenciava 40 enterros por dia. A chegada da pandemia se acelerou e deu visibilidade a um local que já estava marcado pela tragédia. 

 DANIELLE VOLPE – GUATEMALA

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O flagrante mostra o agravamento dos casos na cidade da Guatemala: em 11 de junho de 2020, um idoso com sintomas de Covid cai do lado de fora do Hospital San Juan de Dios, o principal hospital da capital responsável pelo tratamento dos infectados pelo coronavírus. 

TAMARA MERINO – CHILE
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Coletivo Covid Latam – Chile – Tamara Merino

Neste autorretrato de 28 de março de 2020, a fotógrafa brinca com seu filho Ikal sob o lençol iluminado por um abajur em meio às plantas de seu apartamento em Santiago. Ela explica: “O Chile ficou mais de 140 dias em quarentena obrigatória devido à pandemia de Covid-19. Explorando a conexão entre mãe, filho e natureza em meio ao bloqueio com exposição limitada ao ar livre, esta fotografia destaca a importância vital do meio ambiente no bem-estar coletivo da sociedade”. 

MATILDE CAMPODONICO – URUGUAI
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Coletivo Covid Latam – Uruguai – Matilde Campodonico

Em 20 de abril de 2020, funcionários da municipalidade de Montevidéu, desinfetam um ponto de ônibus para ajudar a prevenir a propagação do coronavírus fora de um cinema fechado. No mural do estabelecimento, uma homenagem a alguns dos monstros sagrados do cinema: os diretores Federico Fellini, Alfred Hitchcock, Luis Buñuel e Lucrecia Martel.

FABIOLA FERRERO – COLÔMBIA
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Coletivo Covid Latam – Colômbia – Fabiola Ferrero

Em Bogotá, a fotógrafa retrata seu companheiro olhando pela janela do apartamento onde vivem, durante o primeiro mês de bloqueio.

SARA ALILAGA TICONA – BOLÍVIA

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Durante os meses de rígida quarentena na cidade de La Paz, muitos problemas sociais começaram a emergir nas ruas. As pessoas não tinham dinheiro para sustentar suas famílias e como forma de protesto saíram às ruas para exigir socorro. A foto usa o nome da cidade para denunciar que não havia paz para seus cidadãos. 

RODRIGO ABD – PERU

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Em 29 de setembro de 2020, parentes transportam de barco o caixão com o corpo de Jose Barbaran, que morreu na cidade de Pucallpa, aos 73 anos, infectado pela Covid 19. Apesar  dos riscos, os familiares decidiram viajar durante a noite ao longo do rio Ucayali, no Peru. A travessia durou quatro horas, sem luz, a fim de fazer o funeral de José Barbaran na aldeia onde nasceu.

Inscrições para a edição 2022 abrem em setembro

Fotógrafos profissionais, amadores ou coletivos de fotógrafos podem participar. É preciso enviar 15 imagens referentes a um projeto. As inscrições são gratuitas, mas a organização sugere uma doação de vinte dólares. As doações apoiam a produção do livro com as fotos vencedoras. As inscrições estarão abertas de 1º de setembro a 1º de outubro de 2021. Para mais informações, clique aqui.

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