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Legado de Júpiter e The Boys: impossível não comparar

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Difícil assistir a O Legado de Júpiter, da Netflix, e não lembrar de The Boys, da Amazon Prime Vídeo. As duas séries têm intenção parecida: a de rever a função dos super-heróis no século 21, O que seria, afinal, heroísmo em novos tempos, com novos conceitos, novos valores, novos princípios éticos.

Mas cada produção toma um rumo para chegar a esse fim. The Boys investe de forma mais incisiva no tema, com humor ácido, cinismo, crueldade e violência latentes. Com isso, ganha de lavada no quesito ousadia em relação à série da Netflix.

Primeiro, O Legado de Júpiter é irregular, perde muito tempo com conflitos familiares, problemas entre pais e filhos, já meio batidos. Como o caso da filha rebelde, doidinha, que se recusa a seguir o que os pais querem para ela, ou o filho que quer a todo custo o reconhecimento do pai.

Aliás, Cloe (Elena Kampouris) é a típica garota chata e as sequências de sua personagem só não são mais entediantes do que a arrastada a parte da trama que se passa nos anos 1920 e que pretende contar a origem dos super-heróis.

Funciona quase como uma série paralela, mas a ideia do dois em um não funciona muito bem. Além de cortar o barato da história no tempo presente, a trama do passado demora a decolar, dá voltas demais para chegar ao que interessa.

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Segundo, O Legado de Júpiter leva tudo muito a sério, não tem senso de humor. Nem, por exemplo, quando o principal super-herói da série interrompe uma transa com a mulher, também super-heroína, para correr até Marte e averiguar uma possível ameaça à segurança da Terra.

Mas, assim como em The Boys, não deixa de ser interessante a discussão proposta na série da Netflix. Ainda há espaço para o ideal de heroísmo de antes em um mundo onde não faz mais sentido o maniqueísmo entre bem e mal?

Na trama, Sheldon Sampson (Josh Duhamel) e a esposa Grace (Leslie Bibb), que usam seus superpoderes como Utópico e Lady Liberdade, estão envelhecendo e precisam passar aos filhos, Chloe e  Brandon (Andrew Horton), a função de salvar o mundo.

Não só eles, mas um grupo de amigos que adquiriram poderes extraordinários junto com os dois, durante aventuresca viagem de navio em 1929. Só que a garotada não vê sentido no código ético dos pais, que se torna obsoleto diante da realidade atual.

Outro problema é que alguns dos antigos heróis também preferiram passaram para o lado do mal, e se tornaram supervilões. Sim, o mundo mudou, mas O Legado de Júpiter, ao mesmo tempo que indica isso, parece insistir numa ingenuidade que soa fora de lugar dentro de seu próprio discurso.

Enquanto The Boys parte pra cima e assume seu cinismo sem meio termo, transformando os superpoderes em um produto comercializado por uma grande corporação. O Legado cria fileira de bonzinhos e maus à moda antiga.

De qualquer forma, vale assistir as duas séries, não só para comparar uma e outra, mas porque são muito válidas as reflexões que as duas propõem. Mesmo não sendo super-heróis, precisamos pensar demais em que valores e princípios devemos adotar ou manter nestes tempos estranhíssimos que vivemos.

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