Comer & Beber

Nem carnívoro nem vegano, a alternativa é ser flexitariano

Por Rodrigo Carvalho ( * ) 

Nem oito nem oitenta. A expressão que não define extremos pode ser aplicada ao flexitarianismo. O termo traduz um novo pensamento de consumo alimentar, que vem ganhando cada vez mais adeptos em todo o mundo. Embora o nome soe um pouco estranho, os flexitarianos seguem uma dieta simples: nem totalmente vegana ou vegetariana, nem totalmente carnívora ou focada em produtos de origem animal.

A dieta flex busca o equilíbrio. Enquanto os que adotam o modelo plant-based eliminam ingredientes como leite, carne e ovos, os flexitarianos seguem uma alimentação basicamente vegetariana, mas eventualmente consomem carne. Um dos pontos positivos é que o cardápio pode ser customizado. Há quem coma carne apenas uma vez por semana, mas também aqueles que optam por duas ou três refeições com alimentos de origem animal.

A redução do consumo de carne pode ter várias motivações. Algumas pessoas simplesmente não gostam do sabor, outras querem se tornar vegetarianas ou veganas e fazem essa dieta como forma de transição.

Percebo, contudo, que a motivação para aderir ao flexitarianismo tem três pilares principais: saúde, equilíbrio e sustentabilidade. A saúde segue sendo o maior objeto de desejo, em primeiro lugar entre as razões da escolha. O equilíbrio vem como consequência. O meio ambiente também sai ganhando, afinal, a produção de carne consome muita água e outros recursos naturais.

Até mesmo os grandes produtores de carne estão cientes disso. Em um congresso recente, que reuniu empresas de alimentação, representantes de grandes marcas da indústria da carne mostraram um panorama futuro, em que pode faltar proteína no planeta, em 2050, caso não haja uma flexibilização no consumo dos produtos de origem animal. Ou seja, o flexitarianismo, o plant-based, será a solução contra a escassez de alimentos.

O termo “flexitariano” não é novo. Foi criado nos anos 1990 pela médica norte-americana, especialista em alimentação, Dawn Jackson Blatner, autora do livro The Flexitarian Diet. Mas na última década se tornou mais popular, traduzindo uma forte tendência de consumo.

Atualmente o mercado de produtos vegetais é grande e pujante, e vem evoluindo a cada ano. Há cinco anos os primeiros leites de origem vegetal eram feitos usando com base a castanha de caju, e os clientes eram basicamente veganos e alérgicos. 

Além de prevenir doenças e trazer diversos benefícios à saúde, é comum ouvir de pessoas que deixaram de consumir o leite animal, coisas como “estou me sentindo mais leve, menos inchado”, sem que saibam definir o motivo, até associar o bem estar a nova dieta. Ao incluir uma gama maior de vegetais e frutas em todas as refeições, acabam por descobrir uma variedade alimentar incrível, que sequer sabiam que existia, porque o foco estava na carne. 

Do ponto de vista nutricional, sabe-se hoje que é possível manter uma dieta rica e balanceada, com ingestão adequada de proteínas, sem o consumo de carne. Na dúvida, basta consultar um nutricionista, para organizar as substituições no cardápio.

Nem mesmo o sabor, que já foi um obstáculo, pode ser usado como desculpa para não flexibilizar a dieta. Atualmente, os produtos vegetais não devem em nada em textura, cremosidade e sabor aos de origem animal. O hambúrguer vegetal está cada vez mais realista. Os produtores se empenham em oferecer algo tão bom e nutritivo quanto o original. Um desafio e tanto!

Mas vale ficar de olho nos rótulos. Nem tudo o que se diz natural é natural de fato. É preciso estar atento aos ingredientes, porque há diversos produtos que se vendem como naturais e são super processados e cheios de conservantes. A dieta saudável, e isso vale para o flexitarianismo, é a mais natural possível. 

Por fim, uma grande vantagem da dieta flex é o lado social, que dispensa a necessidade de ter que levar “marmita” no jantar em casa de amigos que não seguem o mesmo princípio alimentar. Flexibilidade, afinal, é uma qualidade bem-vinda não apenas na alimentação, mas na vida. O flexitarianismo mostra que o equilíbrio é flex – e a saúde e o meio ambiente agradecem.

( * ) Rodrigo Carvalho é um dos diretores da Positive Brands, empresa por trás das marcas A Tal da Castanha e do Isotônico Jungle.

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