Comer & Beber

Gastronomia adora termos de moda. Sabe qual o mais novo?

O mercado gastronômico adora adotar novos termos, que viram modismo, mas se deterioram mais rápido que carne fora de geladeira. O mais famoso é o “gourmet”, que entrou em voga lá pelos anos 1990, perdurou até meados da década passada e hoje está tão desgastado quanto a imagem do atual dirigente da nação.

Eu colocaria na lista também o “chef”, que virou moda pela mesma época do “gourmet”. De repente, qualquer cozinheiro mais cuidadodo passou a ser chef —  como se ser um cozinheiro hábil não fosse já um grande mérito ou como se não existissem parâmetros para um profissional chegar à qualificação de chef.

Desde então, surgiram outros. Não com a mesma força, mas igualmente atraentes para os donos de restaurantes — o que se pode deduzir pelo uso recorrente nos menus. O “artesanal”, por exemplo, virou quase um sinônimo de “gourmet”. Quer valorizar a comida? Põe um artesanal na frente.

E se for artesanal no diminutivo, então, melhor ainda. Por exemplo: linguiça suína é só linguiça suína; “linguiça suína artesanal” já é mais bacana, mas “linguincinha suína artesanal” é o que há. Quem põe isso no cardápio está por dentro da onda.

E tem um mais recente, embora nem tão novo: cozinha criativa. Me dei conta disso porque vi que um delivery de quentinhas aberto aqui perto de casa tem “cozinha criativa” depois do nome. A quentinha mesmo é aquela tradicional, com 60% de arroz e a comidinha de todo dia. Mas o proprietário deve achar que encontrou um grande diferencial com o acréscimo do “cozinha criativa” na fachada.

Nisso, o delivery de quentinhas e o restaurante chique se aproximam: são muitos os empreendedores gastronômicos que tentam se diferenciar recorrendo ao que acreditam ser moda, conceito e tal. E não só em palavras. Tem aquele clichê do chef barbudo e tatuado, com cara de mau — será que ainda convence alguém?

No caso dos restaurantes chiques, somam-se a isso projetos arquitetônicos descolados e ambientes estilosos que justificam o precinho nas alturas. Tudo muito “style”. Mas o problema é que, geralmente, quando a gente vai ao que interessa, que é a comida, nem sempre se impressiona tanto.

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