Comer & Beber

Supermercados terão buchada e dobradinha pré-prontas

Buchada e dobradinha não dois pratos de preparo delicado. Há quem, inclusive, não os consuma se não tiver certeza das boas condições em que foram feitos. Mas em breve esses dois ícones da culinária nordestina estarão devidamente adaptados aos padrões da vida moderna.

A Embrapa anunciou um método, desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), para padronizar o preparo de buchada e dobradinha e oferecer esses pratos pré-prontos em supermercados, das regiões Nordeste e Sudeste. A metodologia será repassada a profissionais de abatedouros, frigoríficos e agroindústrias a partir de capacitações ao longo deste ano.

O novo processo promete, além de facilitar a execução das receitas, garantir mais higiene e aumentar o tempo de conservação dos produtos. Segundo os pesquisadores, também conseguiu diminuir o teor de gordura dos alimentos, que já são muito protéicos.

A ideia é ampliar o mercado para essas receitas tradicionais no Brasil. “Mesmo entre os nordestinos mais jovens o consumo tem diminuído em função do preparo ser muito trabalhoso”, afirma a pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) Lisiane Dorneles.

“Diante disso, faz-se necessário incentivar o consumo e o desenvolvimento de produtos elaborados com vísceras, a partir de técnicas que facilitem o preparo, bem como a oferta de porções condizentes com as necessidades dos consumidores e que ofereçam garantia da qualidade higiênico-sanitária”, ela acrescenta.

Lisiane Dorneles explica que  o aproveitamento das vísceras e órgãos dos ovinos, matéria-prima da buchada e da dobradinha, agrega valor ao negócio e ajuda a reduzir o desperdício de matéria-prima, uma vez que o foco dos produtores é a carcaça (o animal abatido sem sangue, vísceras, órgãos internos e cabeça). “Na maioria das vezes esse material é tratado como resíduo industrial, sem valor comercial e causa problemas ambientais”.

A ideia já tem aprovação do público, confirmada por meio de testes de aceitação do sabor e intenção de compra, realizados no Laboratório de Análises Sensoriais da Embrapa Caprinos e Ovinos e no Laboratório de Produtos Agropecuários da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), ambos em Sobral, Ceará.

Na Embrapa, participaram 63 pessoas de 20 a 70 anos. Na UVA, 100 participantes entre 17 e 36 anos. Ao fim, 87% deles aprovaram o aroma e a cor da buchada e 80% afirmaram que consumiriam entre sempre e ocasionalmente o produto, caso estivesse disponível no mercado.

O aroma da dobradinha foi aprovado por 86,15% dos participantes dos testes, enquanto 75,38% demonstraram satisfação com a cor. O sabor foi bem aceito por 83,07%. Mais de 90% dos avaliadores afirmaram que consumiriam o produto se estivesse disponível para compra.

Para a engenheira de alimentos e professora da UVA Ana Sancha Malveira, a carne ovina, apesar de muito nutritiva e saborosa, ainda é desperdiçada. “Quando o brasileiro perceber o ouro que é essa carne, ele vai dar um salto de qualidade de vida muito grande”, acredita.

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