Música

Dancin’ Days: divas pop buscam inspiração na música disco

É uma ironia muito da sem graça que, musicalmente, 2020 tenha sido tão produtivo para as faixas de balada. Mas se por força das circunstâncias as pistas ainda se encontram fechadas em boa parte do planeta, quem dança seus males espanta em qualquer lugar, até dentro do quarto após um exaustivo dia de home office.

As divas pop podem até ter um sexto sentido sobre isso. Parece que sabendo da nossa necessidade de um escape, muitas delas programaram para este ano tão complicado alguns lançamentos que nos fizeram vibrar. Em muitos deles, uma tendência a ser notada: o revival da disco music. Com influências sutis ao lado de outras mais explícitas, o ritmo, típico do fim dos anos 1970, apareceu em vários trabalhos.

Podemos dizer que tal moda começou ainda no ano passado com ela, sempre ela: Madonna. Aliás, a rainha do pop já tinha reverenciado os embalos de sábado à noite há exatos 15 anos, com o sucesso Confessions on a Dancefloor, lembram? Um dos singles, Hung Up, tinha até sample do Abba.

Pois em 2019, com Madame X, trabalho mais experimental com toques de fado, funk e outras influências lusófonas, ela bem achou espaço para uma música com toques disco: God Control. E como Madonna sem polêmica não é Madonna, ela ainda produziu um clipe com bastante controvérsia para a faixa, que trata sobre controle do porte de armas.

Don’t Start Now, de Dua Lipa, também evocando vocais e coreôs típicos dos anos 1970, começou uma nova era da intérprete inglesa. O hit bombou quando 2020 começou, virou sucesso com a dancinha de Manu Gavassi no BBB, o que provocou até mesmo uma participação da cantora via satélite no programa, e abriu os trabalhos do álbum Future Nostalgia, cuja estética mistura o antigo e o contemporâneo sempre com sons dançantes.

Nessa mesma época, ainda no primeiro semestre do ano, Lady Gaga deixou Shallow para lá e mirou no futuro com seu Chromatica. Entretanto, a homenagem aos dancin’ days veio com tudo na faixa Replay, que conta com sample de It’s My House, sucesso de Diana Ross em 1979.

O refrão It was made for love foi acelerado e ganha versão interplanetária por Gaga. Compare.

Antes conhecida como uma intérprete romântica, a britânica Jessie Ware encarnou a diva disco em um dos lançamentos mais elogiados do ano.

Com What’s Your Pleasure? ela investiu em clima discoteca, daquelas bem granfinas, para usar uma gíria da época. Em clima de balada lounge, o trabalho se destaca pela sutileza. É como se você viajasse no tempo, mas dentro da Studio 54, entende?

Essa mesma vibe classuda pode ser sentida, ou melhor, ouvida, em Róisín Machine, álbum com tons de disco e house de Róisín Murphy.

E não para por aí. Quando começou, lá no início dos anos 2000, Sophie Ellis-Bextor misturou século XXI com anos 1970 em Murder on a Dancefloor. Agora, em compilado de greatest hits, ela volta à mesma onda com Crying At The Discoteque, seu mais recente single, regravação da sueca Alcazar em 2001 que, por sua vez, sampleava a música Spacer (1979), de Sheila and B. Devotion.

Para fechar a comanda da boate, nesta semana Kylie Minogue lançou mais um trabalho e adivinhem? Ele se chama… Disco. Nem precisa procurar, você pode escutá-lo aqui:

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