Música

40 anos depois, Lança Perfume de Rita Lee ainda dá barato

O disco Lança Perfume, de Rita Lee, não se chama Lança Perfume de verdade. Leva somente o nome da cantora, mas ficou conhecido assim por causa do estrondoso sucesso da faixa de abertura, não só em terras brasileiras – foi um grande hit, por exemplo, na França, contou-me um amigo francês.

Isso em 1980, ou seja, há exatos 40 anos. E para comemorar a passagem dessas quatro décadas redondinhas de existência de Lança Perfume, a Universal Music lança uma edição em vinil do disco, no qual estão também sucessos como Baila Comigo, Caso Sério e Nem Luxo Nem Lixo.

A comemoração é justa porque, mesmo não sendo uma obra seminal na história da música brasileira, Lança Perfume foi fundamental para que Rita Lee se tornasse uma das mais populares artistas de nossa história. Além de ter sido marcante por ousar falar de prazeres proibidos numa época em que o país ainda era controlado pela ditadura militar.

Rita LeeLança Perfume é o oitavo disco de estúdio de Rita Lee. Foi lançado no décimo ano da sua carreira solo e, evidentemente a artista já tinha prestígio e reconhecimento, hits na parada e músicas em trilhas de novelas da Globo – melhor exemplo: Ovelha Negra, sucesso absoluto e tema da trilha de Bravo.

Até 1979, ela era a “roqueira” – e, você sabe, “roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido”, como diz a letra de Orra Meu, a última faixa de Lança Perfume. Ou seja, por mais sucesso que fizesse, Rita era a “alternativa”. Só que a entrada de Roberto de Carvalho em sua vida, a convivência a dois nos palcos, estúdios e em casa, a levaria por caminhos mais amplos.

A coisa começou a mudar com o disco de 1979, também chamado somente de Rita Lee e feito três anos depois do primeiro encontro de Rita e Roberto. Para os apaixonados, o mundo nunca é tão horroroso quanto pintam. Daí que músicas sensuais como Mania de Você e Doce Vampiro dividiam espaço com a rebeldia roqueira de Papai me Empresta o Carro e Arrombou a Festa nº 2.

Lança Perfume sedimentaria a parceria de Rita e Roberto e essa vontade de fazer a revolução pelo prazer, enfrentando o moralismo imposto pelo regime. O álbum tem uma leveza em sua forma de contestação que causou estranheza a alguns, mas que seduziu um público ainda maior. E foi um sucesso atrás do outro.

Depois de se esbaldar na festiva música de abertura (“título” do disco), Rita Lee passeia pela sensualidade, pelo convite ao prazer da dança, do sexo, algo já evidente nas já citadas Doce Vampiro e Mania de Você (usada naquele sensualíssimo anúncio de jeans em que um casal aparece tirando a roupa debaixo d’água)

Passados 40 anos, a defesa do prazer como meio revolucionário nunca fez tanto sentido. Por isso, ouvir Lança Perfume nesta opressiva segunda década do século 21 torna-se mais que necessário; o disco é um remédio contra a caretice que não perdeu a validade. Rita Lee, como sempre, estava à frente do seu tempo.

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