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Psicose 60 anos: clássico é pedida para o Halloween na Netflix

Phoenix, Arizona. Marion Crane, funcionária de uma imobiliária, tem a oportunidade de mudar de vida. Só que não da maneira mais correta. Ela rouba U$$ 40 mil em seu trabalho e parte para encontrar o namorado na Califórnia. No meio do caminho, para em um motel de beira de estrada. Marion decide tomar um banho de chuveiro e… bem, o resto é história.

Descritos acima estão os 30 primeiros minutos de Psicose, trama que se tornou não só um clássico do suspense, mas do cinema em geral. Este filme antológico completou seis décadas agora em 2020, mantendo-se em forma como nunca. Por isso, a pedida para esse Halloween é assisti-lo ou, melhor ainda, revê-lo.

Aos 60 anos de idade, a fita mantém-se como um programaço. E o melhor: está ao alcance dos controles remotos e smartphones, disponível na Netflix.

Psycho (2)
Cartaz do filme

Mas o que tem esse filme em especial para fazer tamanho sucesso?

Em 1959, após uma série de sucessos cinematográficos, entre eles Janela Indiscreta e Intriga Internacional, o diretor Alfred Hitchcock decidiu inovar. Pegou a equipe de seu programa de televisão, sucesso à época, e decidiu rodar uma nova produção que quebraria todos os padrões. Com orçamento limitado, o novo projeto faria valer a genialidade de sua execução, tornando-se o maior êxito da vida do cineasta.

Com enredo relativamente simples, a já descrita história da mulher insatisfeita que sucumbe à tentação de embolsar uma grana para tentar ser feliz com o namorado falido, Psicose tem um twist. Não é Marion, interpretada por Janet Leigh (mãe de outro grande nome do terror, a rainha do grito Jamie Lee Curtis, de Halloween), a protagonista da trama. Quem praticamente conduz a narrativa é Norman Bates, vivido por Anthony Perkins.

É ele o dono do Bates Motel, onde Marion faz uma parada estratégica, toma aquele banho e… você sabe, né? A cena é uma das mais famosas do mundo.

Psycho (3)
Hitchcock dirige Janet Leigh na famosa cena do chuveiro

Pois a partir daí complica-se o enredo. Norman parece um cara simples, simpático, solícito, até meio infantil. Um cidadão acima de qualquer suspeita. Por isso talvez a irmã de Marion, o tal namorado e o detetive Arbogast, contratado para localizar o dinheiro, estranhem quando descobrem que lá foi o último paradeiro conhecido da gatuna de Phoenix.

Só que o Norman, vejam só, aparentemente tão bonzinho, esconde um segredo. E é esse mistério, chave da história toda, está guardado na misteriosa casa que ele ocupa com a mãe nas adjacências do tal Bates Motel.

Mesmo que o fascínio por criaturas maléficas tenha sempre existido, desde as fábulas, passando por Jack, o Estripador, e até nas coberturas jornalísticas estilo “espreme que sai sangue”, acredito que o filme pode ter ajudado no sucesso de um gênero cada vez mais em alta nos dias de hoje, seja no cinema, na TV ou até em podcasts: o de crimes reais.

Afinal, o enredo dele foi livremente inspirado no serial killer Ed Gein, figura que chocou os EUA nos anos 1950 pelos motivos mais escabrosos, mantidos aqui escondidos para, mesmo que com 60 anos de atraso, não configurem spoiler.

Aliás, sabia que essa foi uma das táticas de lançamento de Psicose? Hitchcock quis amplificar o clima de mistério, então comprou o máximo de cópias dos livros no qual seu filme se baseava, escrito por Robert Bloch (o roteiro da película, por sua vez, ficou a cargo de Joseph Stefano). O diretor também comandou uma campanha de marketing que proibia os espectadores de entrarem nas sessões se a projeção já tivesse começado, uma jogada de mestre.

Psycho (4)
Anthony Perkins vive o personagem antológico Norman Bates

O tal Ed Gein foi uma figura tão marcante na cultura americana que hoje figura também na cultura pop como influência para diversos personagens — além de Norman Bates, serviu de base para os enredos de O Massacre da Serra Elétrica e O Silêncio dos Inocentes.

Por esse e tantos outros motivos, Psicose vale a pipoca: o filme marca o fim dos tempos idílicos da geração baby boomer e o início da nova era em que assassinatos e perseguições policiais ficaram mais frequentes na mídia.

Não à toa a mesma década de 1960 tenha terminado com os crimes da Família Manson, outro grotesco caso transformado em marco cultural. E desde então seguimos morrendo de medo, mas mesmo assim ainda fascinados com todo o horror que o ser humano pode produzir.

Para saber mais:

Hitchcock (2012)
Em 1990, Stephen Rebello lançou um livro que seria referência aos fãs de Psicose, contando em detalhes os bastidores da produção. O material imperdível de tão essencial transformou-se em filme, este estrelando Anthony Hopkins no papel do diretor bonachão. Para ler e assistir.

Janet Leigh and The Making of Psycho
Publicada originalmente em 1995, a obra revela um pouco mais da carreira de Janet Leigh, a Marion Crane da trama, além das impressões dela sobre como foi participar de obra tão emblemática. Ah, a atriz também compartilha uma passagem surpreendente pelo Brasil (e isso eu deixo para vocês descobrirem no meu blog Loz Engelis).

78/52
Neste documentário, também disponível na Netflix, assim como Psicose, o destaque é destrinchar a famosa cena do chuveiro e diversas figuras da indústria cinematográfica dão seus pitacos. Que tal fazer uma sessão dupla, hein? Em tempo: o nome 78/52 se refere, em ordem, às posições de câmera e ao número de frames que a famosa passagem tem nas telas.

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