Livros

O Falso Francês incorpora o espírito lúdico do bom folhetim

O folhetim surgiu na França no início do século 19 e não demorou a chegar no Brasil e fazer sucesso. Inclusive em São Félix do Morro Alto, cidadezinha perdida nos grotões do país, que só existe na imaginação de Ítalo Damasceno, autor piauiense que lança O Falso Francês, sua primeira ficção mais extensa — ele já teve contos publicados em coletâneas.

Foi lendo Folhetim, uma História, livro da pesquisadora Marlyse Meyer dedicado a esse gênero literário, que Ítalo teve a ideia de escrever O Falso Francês, lançado apenas em formato e-book. Usando da metalinguagem, levou para sua história todos os elementos que fazem de um folhetim uma leitura, digamos, absorvente.

Para situar: folhetim foi a gênese das atuais telenovelas e séries, sagas contadas em episódios, só que publicados nos jornais. E, da mesma forma que as histórias que assistimos aos pedaços na TV, um bom folhetim tinha que ter romance, aventura, paixão, ciúme, vingança, vilões, mocinhos, reviravoltas e coincidências.

Na tentativa de reproduzir isso em sua obra, Ítalo se sai bem e cria uma narrativa deliciosa, cheia de personagens cativantes, situações engraçadas e suspense. Para ler de uma sentada – ou aos pouquinhos se você quiser sentir na pele a ansiedade dos ávidos leitores d’A Brisa da Tarde.

A ação se passa na citada São Félix do Morro Alto, em 1849. Ali mora João Manuel, modesto funcionário da gazeta local, o tal A Brisa da Tarde, onde são publicados os folhetins, sempre traduções do francês (ou pelo menos assim identificados, porque só os traduzidos do francês fazem sucesso).

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Para convencer o patrão, Seu Tista, a publicar uma história de sua autoria, João Manuel inventa uma mentira e vende o que seria a tradução de um livro que na verdade só está escrito na caixola dele, Os Peregrinos da Ilha de Cítera ou As Desventuras do Exilado.

A trama se complica quando aparece Edith, uma moça que sabe falar francês e se propõe a ajudar João Manuel na tradução. E o novelo se enrola mais ainda quando aquele que seria o autor do original, o francês Patrice Du Jardim, aparece ele mesminho em São Félix.

Com esses elementos, Ítalo Damasceno cria um divertido jogo em que a realidade passa a alimentar a ficção e vice-versa, em ritmo de comédia ligeira. Sem soar pretensioso, O Falso Francês reflete sobre a necessidade quase vital do ser humano de fantasia e imaginação.

É por meio da criatividade de João Manuel que a população de São Félix do Morro Alto consegue ir além dos limites daquele lugar tomado pela monotonia e pelo calor. Da mesma forma que a imaginação dos roteiristas de hoje em dia nos fazem suportar uma realidade cada vez mais opressora.

Como cronista, Ítalo assinou por dois anos a coluna Vozes LGBT, do portal brasiliense Metrópoles. Nesse período, demonstrou clara evolução em sua intimidade com a escrita. Ao enveredar pela ficção em O Falso Francês, ele se propõe um desafio maior e acerta.

E o bom é que quem adquire o livro na Amazon, além de garantir algumas horas de agradável leitura, ajuda o Grupo Diverse, para o qual é dirigido integralmente o dinheiro das vendas. O Diverse promove ações socioculturais, educativas e filantrópicas para a população LGBTQI+ de Teresina (PI).

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