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Passado e presente se misturam no Brasília Palace Hotel

A capital federal, inaugurada há seis décadas, em 21 de abril de 1960, possui em seu DNA o modernismo de linhas retas imortalizado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Na longa lista de cartões postais construídos em meados do século passado, mas dignos de terceiro milênio, o Brasília Palace Hotel, não tão conhecido nacionalmente e nem por isso menos importante, honra muito bem sua própria trajetória e a do Distrito Federal.

Hospedar-se ali neste ponto turístico, que também, é monumento é como voltar no tempo mantendo o conforto do tecnológico presente. Não só os turistas costumam ter essa experiência. Nativos do Planalto Central também aproveitam suas folgas ali. Aliás, a tendência de tirar férias na própria cidade tem até nome: staycations.

Brasília Palace Hotel - Boníssimo - Crédito para Arthur H. Herdy (2)
Fotos: Arthur H. Herdy

Foi assim que eu, brasiliense de nascimento, conhecedor e admirador das “histórias da cidade”, passei alguns dias lá no ano passado, completamente a lazer, quando ainda vivíamos em mundo sem a Covid-19.

Contudo, nem a pandemia fez parar o Brasília Palace. Parece-me emblemático que este empreendimento, logo no período das comemorações dos 60 anos de Brasília, tenha tomado parte deste louco 2020 recebendo idosos do grupo de risco para protegê-los do contágio do vírus. Desde o fim de julho, eles estão mais uma vez abertos ao público geral, funcionando adaptados para os novos tempos.

Localizado à beira do Lago Paranoá, bem perto do Palácio da Alvorada, o hotel possui uma trajetória singular. Inaugurado em 1958, foi o principal ponto de encontro dos forasteiros ilustres que passaram pela capital antes mesmo da inauguração. Após um incêndio destruidor vinte anos depois, o prédio demorou quase três décadas para ressurgir das cinzas reformado, mantendo as significativas características originais.

Brasília Palace Hotel - Boníssimo - Crédito para Arthur H. Herdy (3)

A experiência da hospedagem começa antes mesmo do check-in com o visual: de longe, o prédio parece um pedacinho da arquitetura que encontramos no Plano Piloto. Próximo à entrada, aula de história com o jipe do ex-presidente Juscelino Kubitschek exposto ali.

Ao entrar, somos imediatamente transportados para aqueles tempos sessentistas, só que em versão século 21. Os móveis da entrada reproduzem o clima vintage nas poltronas, telefone de disco e até mesmo em uma TV de tubo, junto do presente, um mostruário com itens temáticos à venda pela BSB Memo.

Por ali perto, dois painéis de Athos Bulcão, artista carioca que desenvolveu os azulejos da famosa Igrejinha, entre outros tantos. O da parte externa, principalmente, é uma bela opção para fotos e selfies, vai por mim.

Há quatro tipos de quartos nos três andares do empreendimento. O modelo standard, por volta de R$ 300 a diária, apresenta alto padrão para exigentes viajantes nacionais e estrangeiros. Foi o meu escolhido. Amplo, com 30m², possui decoração simples, minimalista, contemporânea e confortável. Na hora do banho, grata surpresa: amenities da L’Occitane au Brésil (quem não adora um mimo?).

Há ainda a opção Superior, também com 30m², a Alvorada, com 60m² e a suíte Oscar, a mais luxuosa do local (preços sob consulta).

Brasília Palace Hotel - Boníssimo - Crédito para Arthur H. Herdy (4)

Por sua localização quase bucólica, distante de pistas cheias de veículos ou de muito agito, o clima é de relaxamento. Tanto que é possível, durante os momentos de descanso, ouvir um som não muito característico das grandes cidades.

Ao invés de buzinas e sirenes, o chamado é de um animado grupo de galinhas d’angola, que às vezes rompe o silêncio quando passa pra lá e pra cá. Dois pavões, nada misteriosos, coabitam o perímetro.

O Brasília Palace Hotel possui diminuta, mas eficiente academia de ginástica no térreo, recebe para eventos de diversas vocações, além de servir como cenário para casamentos.

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O passeio continua na área de lazer, onde a piscina segue o traço poético de Niemeyer. Logo ao lado, fica o espaço onde é servido um saboroso e variado café da manhã, incluso em minha tarifa, e o acesso ao restaurante Oliver, de pegada italiana e contemporânea, aberto para almoço e jantar.

Descendo um caminho verde, pontuado por uma gigante e bela gameleira, o acesso culmina à beira do Lago Paranoá, cenário perfeito para apreciar outro conhecido cartão postal de Brasília, este moldado pela natureza: o céu azul e seu pôr do sol de cores variadas.

Mais um, entre muitos motivos, para você, vindo de fora ou mesmo de dentro do “quadradinho”, tirar umas férias no Brasília Palace Hotel.

Brasília Palace Hotel - Boníssimo - Crédito para Arthur H. Herdy (5)

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