Livros

Entenda por que a escritora Jane Austen nunca sai de moda

Os romances escritos pela inglesa Jane Austen (1775-1817) atravessaram mais de seis gerações e continuam a conquistar fãs pelo mundo. Já inspiraram filmes (o mais recente é Emma, de Autumn de Wilde), minisséries e novelas (caso de Orgulho e Paixão, da Globo) e ganham reedições em diversas línguas. No Brasil, Razão e Sensibilidade acaba de sair em nova e luxuosa edição do Selo Via Leitura, que já havia feito o mesmo com Orgulho e Preconceito e Persuasão.

Enfim, não há dúvida de que Jane Austen, além de clássica, é pop, com direito a ilustrar nota de 10 libras na Inglaterra e ser nome de chá na Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro. É fácil, porém, encontrar a principal razão para isso.

A escritora inglesa tinha enorme capacidade de transformar romances de época em narrativas atemporais. Inclusive, indo além das histórias de amor e do protagonismo feminino ao qual sua obra é comumente associada.

Nascida na nobreza rural inglesa do século 18, ela representou a realidade da classe social a que pertencia em todas as suas obras, concentrando-se no papel da mulher. Sétima filha de uma família de ávidos leitores, escreveu os primeiros textos para o divertimento doméstico, até a publicação de Razão e Sensibilidade, em 1810.

Foi o primeiro de sete romances que publicou – os outros são Orgulho e Preconceito (1813), Mansfield Park (1814), Emma (1815), A Abadia de Northanger (1818), Persuasão (1818) e Lady Susan (1871). Apesar de o casamento ser tema frequente em seus livros, a autora morreu sem nunca ter se casado, aos 41 anos.

Crítica social
Mas, para a pesquisadora Helena Kelly, professora de literatura em Oxford e autora do livro Jane Austen, the Secret Radical, a escritora inglesa tinha algo mais: era  hábil comentadora política, capaz de deixar, entre as intrigas dos romances que escrevia, críticas escondidas ou pontos de vista acerca de temas como a abolição da escravidão, o feminismo e a Igreja Anglicana.

Em entrevista à revista Cult, Helena Kelly diz que o que fez Jane Austen passar pelo crivo machista de sua época foi justamente a capacidade de esconder comentários e críticas em histórias românticas, enquanto outras eram criticadas por tornar as próprias críticas explícitas demais. “Ela foi capaz de subverter o sistema, e ‘enganar’ a crítica para fazer circular o que pensava”.

Emma
Cena de Emma (2020), apenas uma das muitas versões para cinema e TV

Fato é que, muito além da naturalidade de suas histórias, Jane tornou-se lenda pela construção fidedigna da realidade de seus personagens. Não há caricaturas, são pessoas reais, repletas de sentimentos e erros, inerentes ao ser humano. E por, de forma bem-humorada, dar tapa com luva de pelica na cara do patriarcado, da burguesia e da hipocrisia daquele ambiente.

Claro que os leitores amam a ficção criada pela autora, mas as atitudes possíveis refletidas em suas protagonistas deixam um caminho livre para a imersão no universo do livro. E, para os mais ousados, a oportunidade de uma autoanálise e comparação com as próprias vidas e atitudes. Isso tudo faz dela cada vez mais atual, com mais seguidoras e seguidores.

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