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Fim do dark room? Pandemia reinventa festas de nudez liberada

Assim como outros setores afetados pela pandemia de covid-19, as baladas enfrentam longo e tenebroso inverno. Última fronteira do “novo normal” quando se pensa em flexibilização do isolamento, a vida noturna está praticamente hibernando, afinal, festa sem aglomeração não tem muita graça, vamos combinar.

Para sobreviver, elas se reinventaram na internet no melhor formato “cada um no seu quadrado”. No quadrado da reunião virtual, digamos assim. Não só as celebrações mais tradicionais, onde os frequentadores se divertem vestidos dos pés à cabeça, deram um jeito de continuar. Aquelas com temas fetichistas e nudez liberada, tendência em alta nos últimos anos, principalmente na comunidade LGBTQIA+, também se adaptaram.

Para quem gosta de uns bons drinks

Uma delas é a Lust, ainda a única da vertente em Brasília. Movimentando o espaço do Sub Dulcina, no Conic, em edições regulares, ela precisou fechar as portas (inclusive as do dark room) nessa nova realidade. Atualmente é na web que os frequentadores do selo, vestindo couro, fantasias diversas ou absolutamente nada, curtem a noitada.

“Eu sou meio old school, ainda não tinha sido pego pelo fenômeno das lives. Mas quando outras festas do mesmo tipo começaram a entrar nessa onda, percebemos que a gente não poderia ficar de fora”, conta André Moreira, um dos produtores, junto de Igor Albuquerque e Kaká Guimarães.

Lust 02 - Foto de Victor Diniz
Fotos: Festa Lust, por Victor Diniz

Montação e sacanagem
Agora, ao invés de fila presencial, com saideira na porta e “identidade na mão”, a Lust virtual funciona assim: o internauta recebe, via Sympla, um acesso para a plataforma onde será realizada a reunião, o Zoom. Pede-se uma contribuição que varia de R$ 10 a R$ 60, mais taxas, para manter o projeto.

Só porque o agito é na internet não significa que a montação e a sacanagem não estejam em alta. Uma curadoria dos quadradinhos em tela pode deixar o baladeiro em evidência, seja dançando ou mesmo se exibindo. Prato cheio para os voyeurs.

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Criada em 2018, a Lust faz uma versão brasiliense das selvagens baladas europeias, inspirada a princípio na Kit Kat Club, em Berlim, na Alemanha. Além do clima libertário, onde o uso de roupas é opcional e a livre expressão da sexualidade incentivada, a festa tem a música eletrônica como grande destaque. Tudo isso aliado a performances teatrais, de protesto e às vezes com cunho político, também típicas do universo underground.

A próxima edição on-line, terceira totalmente digital, será nesta sexta-feira (31/7), às 21h. Antes, a partir das 19h30, haverá debate sobre cultura BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo).

Lust 03 - Foto de Victor Diniz

Sem risco de contágio
Ao menos por enquanto, a perspectiva para os festeiros é que a diversão ocorra exclusivamente no mundo virtual. De acordo com o médico Vinícius Lacerda, festas com aglomeração ainda envolvem um risco alto, quaisquer que sejam a vertente das mesmas.

“A alta densidade de pessoas em um mesmo espaço é arriscada para uma transmissão em massa, independentemente do que essas pessoas façam entre si”, esclarece o cirurgião do aparelho digestivo, colunista da Carta Capital, especializado em saúde LGBTQIA+ e sucesso na internet com as dicas que oferece no Instagram e Twitter (@drvinilacerda).

Segundo Lacerda, as celebrações fetichistas e de nudez liberada só serão totalmente seguras assim que “o número de casos estiver realmente controlado, sem transmissão comunitária, e preferencialmente quando houver uma vacina e a maioria da população tenha sido imunizada”, diz.

Por isso, não só no DF esse tipo de balada teve que se adaptar aos novos tempos. Fazem coro à Lust as chamadas festas-irmãs, a exemplo das paulistanas Kevin e Dando, a HRNY, de Belo Horizonte, ou a carioca HOLE, todas hoje com versões digitais.

Em tempos de Covid-19, dark room, por enquanto, só mesmo no escurinho do Zoom. Opção é o que não falta.

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