Planeta Flix

Pais, filhos e sexualidade em dois filmes disponíveis na Netflix

Os filmes Homens, Mulheres e Filhos (2014), de Jason Reitman, e Pecados Íntimos (2006), de Todd Field, entraram no catálogo da Netflix recentemente, quase ao mesmo tempo. A coincidência deixa evidente, para quem vê um e outro, um eloquente diálogo entre as duas obras.

Ambos baseados em livros — Man, Women & Children, de Chad Kultgen, Little Children, de Tom Perrotta, respectivamente –, os dois filmes se aproximam na proposta de tratar das relações familiares e da sexualidade a partir das histórias paralelas de vários personagens.

Em Pecados Íntimos, Sara (Kate Winslet, indicada ao Oscar pela atuação) e Brad (Patrick Wilson) começam caso extraconjugal no parquinho a que levam os filhos para brincar. Movidos por carência e desejo, entram numa relação sexualmente quente, mas que esbarra em impossibilidades que vão além da aliança em seus dedos.

Já Ronnie (Jackie Earle Haley, também indicado ao Oscar) sofre por conta da atração que sente por crianças, pela qual já foi levado uma vez à cadeia. A amorosa mãe, com quem ele mora, acredita que o filho ainda pode encontrar uma mulher, ter filhos e levar uma vida normal.

Em torno de Sara, Brad e Ronnie giram personagens como o marido de Sara, que se masturba diante do computador cheirando uma calcinha; as recalcadas donas de casa que frequentam o parquinho e o clube de livro, e o enfurecido e solitário ex-policial, obcecado em perseguir Ronnie.

A sexualidade aflora nas atitudes de todos eles. Da mesma forma que na legião de personagens de Mulheres, Homens e Filhos — casais insatisfeitos e adolescentes atormentados pela descoberta do sexo que buscam na internet respostas à questão: qual o lugar do desejo?

Um desses núcleos é a família de classe média de Don (Adam Sandler) e Helen Truby (Rosemarie DeWitt), onde as relações virtuais (sexuais inclusive) não conseguem suprir a falta de diálogo entre marido e mulher nem entre o casal e os filhos adolescentes. O silêncio deixa vácuos na relação e nos afetos.

Por meio desses e de outro tipos, Mulheres, Homens e Filhos traça um retrato muito próximo da nossa realidade das relações humanas pautadas pela internet, que no fim de tudo revelam-se apenas como uma parte do mundo real. É como um túnel de fuga que acaba levando para dentro da mesma cela de onde se tenta escapar.

Em certo sentido, o longa de Reitman, por trabalhar com um número maior de personagens e dar relevo às relações virtuais, traz uma visão mais ampla do tema do que Pecados Íntimos. Embora, tanto um filme quanto o outro tenham como qualidade o fato de não se arvorar a dar respostas.

Afinal, como diz Caetano Caetano na música Pecado Original, “a gente nunca sabe ao certo onde colocar o desejo”.

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