Música

Mônica Salmaso fala sobre seu belo projeto musical Ô de Casas

Ofertas cuponsA cantora Mônica Salmaso confessa que mal usava as redes sociais até começar o isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus. Apenas postava algumas coisas no Instagram que lhe pareciam interessantes e só abriu perfil no Facebook para divulgar trabalhos.

Isso não impediu a artista de criar um dos projetos mais belos e interessantes dessa quarentena. O Ô de Casas é uma série de vídeos em que ela canta acompanhada por um ou mais convidados, cada um em suas respectivas casas — no caso dela, do interior de São Paulo, onde passa a quarentena.

Desprentesiosamente, o Ô de Casas tem produzido momentos sublimes — como os que estão compartilhados neste post –, e construído uma verdadeira antologia do cancioneiro e de talentos musicais brasileiros, veteranos e novatos, famosos ou menos conhecidos. Todos disponíveis no Facebook de Mônica Salmaso.

Leia também: Playlist: Reouvindo Elizeth Cardoso nos 100 anos de seu nascimento

Zélia Duncan, Chico Buarque, Ná Ozzetti, Hamilton de Holanda, André Mehmari, Rosa Passos, Pedro Miranda e Guinga são alguns dos nomes que já passaram pelo projeto. Difícil listar aqui todos porque já são 87 — o mais recente, que tem como convidado o baterista Edu Peixe, entrou no ar no último dia 9/7.

Por e-mail, Mônica Salmaso conversou com o Boníssimo.blog sobre o Ô de Casas, contando, entre outras coisas, como ele surgiu e como tem sido feito:


Ô de Casas começou quase simultaneamente com a quarentena. Já havia alguma ideia parecida do projeto antes das restrições que surgiram?
Nenhuma ideia. Na verdade eu mal usava as redes sociais até a necessidade de quarentena. Eu apenas postava algumas coisas que me pareciam interessantes no Instagram e não sabia (como ainda não sei) usar os recursos do Facebook, que abri só pra divulgação de trabalhos e é alimentado pela Carla Assis, minha produtora.

Imaginava que ele poderia ir tão longe e se tornar um projeto tão consistente?
Não havia nada até que me vi em quarentena, no interior de São Paulo, perplexa com o que estava se iniciando, todos os cancelamentos de trabalho, todos os temores do que estava por vir e a convicção de que quem pudesse ficar em casa o máximo possível deveria fazer isso por si, pelos seus próximos e pelo coletivo (sigo com a certeza de que é ainda o que deve ser feito). Diante do início deste quadro, eu senti a necessidade de fazer alguma coisa, de oferecer alguma coisa que pudesse ajudar as pessoas a atravessar essa vulnerabilidade, ajudá-las através da música (no meu caso) a manter alguma saúde emocional.


E como começou exatamente o projeto?
Tentando (sem sucesso, por causa da defasagem de sinal) cantar junto com o Alfredo Del Penho dentro de uma live dele, acordei no dia seguinte com a ideia de fazer um encontro editado, com a brincadeira da interação de olhares. A ideia veio já com o nome de Ô de Casas, numa brincadeira com aquela expressão de vizinhos presenciais que chegam no portão e gritam “ô de casa?”; mas aqui com cada um em sua casa.

Propus ao Alfredo esse primeiro video e ficou tão legal que começou uma espécie de surto de produção que só me dei conta do tamanho quando cheguei no número 74. Aí,  fiz uma postagem dizendo que precisava parar pra me organizar, esvaziar a memória do ipad (onde gravo e edito os vídeos) e me surpreendi e me emocionei muito com os comentários lindos de agradecimentos que vieram. Virei uma noite lendo e chorando. Me organizei e voltei, agora postando três vezes por semana. É muito bom fazer isso. Um remédio pra mim.


Como se dá a escolha dos convidados e das músicas? Já tem lista de espera (rsrs)?

Tem espera sim. Rsrsrs. Os convidados são, na absoluta maioria das vezes, pessoas com quem trabalhei, trabalho. São meus amigos e/ou artistas que admiro muito. O afeto real e a admiração musical são fundamentais. Os encontros de música com prazer e afeto são muito reais, apesar de serem feitos de forma parcelada. Não tem truques ou mentiras.

Só tem um impedimento técnico de fazer estes encontros em lives por conta do delay de sinal. A gente se diverte, se emociona porque se encontra, desde o momento em que combinamos qual música vamos fazer e como será feita até a edição final. Quase sempre, convido já sugerindo uma ou duas ideias de músicas pra gente fazer. Em geral, são músicas do repertório do convidado, o que também me deixa muito feliz em aprender coisas que não cantei antes.


Há intenção de se gerar um produto, um registro em alguma outra plataforma ou suporte, desses encontros?
O Ô de Casas nasceu e só existe como um oferecimento de arte, de música e de alegria para as pessoas. Não tem nenhum retorno financeiro, nem pode ter, porque não é esse o propósito. Mas ele tomou uma proporção que faz com que, de alguma forma, eu possa depois desenvolver algum projeto baseado no que aconteceu.

Tenho vontade de fazer um livro de registro fotográfico com os textos, com fotos de making off que o Teco Cardoso (músico e marido de Mônica) tem feito aqui em casa e fotos de frames dos vídeos. Queria fazer isso pra guardar como uma importante recordação desse período. Quem sabe isso não poderá ser feito e comercializado… Não sei. Claro, precisarei da concordância e autorização de todos os envolvidos. São só ideias por agora.

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: