Música

Camilla Inês encontra novas inspirações musicais em Portugal

Quando compra a partir destes links, você apoia o BoníssimoA cantora Camilla Inês está duplamente presa. Primeiro, em casa como todo mundo, por conta da quarentena imposta pela pandemia do covid-19. Segundo, presa em Brasília, também por causa da pandemia, quando o plano era estar a essa altura em Portugal. Mais exatamente em Leiria, cidadezinha costeira a uma hora e meia de Lisboa.

Em setembro do ano passado, Camilla foi para o país europeu, com um visto de residência no bolso e seu inseparável cavaquinho debaixo do braço. Estava disposta a se fixar na capital. Mas, ao se apresentar ao Serviço de Estrangeiro e Fronteiras, foi avisada de que deveria fazer sua entrada de residência em Leiria.

Pouco sabia sobre o lugar, mas não demorou a se apaixonar. Antes de tudo pela beleza da cidade. Com uma história que remonta aos anos 1500, Leiria tem sua paisagem  dominada por um castelo no alto de um monte, o Castelo de Leiria, e é banhada por dois rios com nome de mulher, o Lis e seu afluente Lena.

Camilla Inês

Doce inspiração
A proximidade do mar faz soprar sobre a cidade uma brisa que já valeu até nome de doce típico, o brisas do Lis, parecido com o nosso quindim, mas com amêndoas em vez de coco. E sentada em um café, saboreando um brisas do Lis, Camilla se sentiu tão inspirada que fez algo que não costuma fazer: compôs uma canção, com música e letra.

E uma canção em homenagem exatamente à cidade que tinha acabado de conhecer. “Leiria, tuas ondas que cantam/ Tecem rendas de amor e oração/ Leiria, que guia meus passos, nesse compasso do teu coração/ Lena ou Lis… vem me diz/ Que seria de mim sem tua paixão…”, escreveu, num mergulho sentimental digno de um fado.

“Isso é uma coisa rara. Tenho parcerias com Simone Guimarães, Roberto Menescal, mas sempre fui muito letrista. Em Leiria foi a primeira vez que me aconteceu de vir música e letra juntos”, ela conta. Esse ímpeto criativo rendeu quatro canções que Camilla, chegando a Brasília, entregou ao pianista e arranjador Renato Vasconcellos para lapidar.

Parada forçada
Ela chegou em janeiro. Veio ao Brasil para tratar de alguns assuntos pessoais. Aí, na hora de voltar, os voos estavam suspensos. Agora, a cantora-compositora aproveita a estada forçada para trocar figurinhas com Vasconcellos e, quem sabe, produzir um lançamento digital, naquele esquema de cada um trabalhando de seu canto.

“Fiz melodias e letras, mas o Renato está conseguindo encontrar caminhos harmônicos que encaixem exatamente para essa proposta, fazendo uma leitura melhor até do que eu poderia. Tem fluído com muita leveza essa comunicação entre o meu processo de criação e a questão do arranjo, que está sendo feito por ele”, conta Camilla

Camilla Inês 2 (5)
À beira do Lis, rio que corta Leiria

A inspiração trazida pelos dias em Leiria levou Camilla Inês, inclusive, por caminhos musicais diferentes do jazz e samba jazz que ela vem trilhando.  Resultado das experiências musicais que teve, como os estudos no Conservatório do Orfeão de Leiria e a participação no coro daquele conservatório de artes. “Me libertei muito em termos de composição musical. Foi um encontro comigo mesma”.

Boas-vindas
Aliás, outra coisa que fez Camilla se sentir logo à vontade em Leiria foi a boa receptividade que teve. Quando foi conhecer Anabela Fernandes Graça, a vice-presidente da Câmara Municipal e responsável pela área de educação e cultura da cidade, presenteou-a cantando à capela um trecho de Leiria, a música composta no dia anterior.

“Eu só queria fazer um gesto simpático, agradecer por estar sendo recebida, mas todos ficaram visivelmente comovidos. Foi algo realmente emocionante”, Camilla lembra. O contato acabou lhe rendendo contrato com o município para cantar em um encontro de bibliotecas. E vieram também convites para apresentações que deveriam estar acontecendo agora.

“Com a pandemia, todos os eventos foram cancelados. Portugal está retomando as atividades, mas ainda não tem como fazer concertos em lugares fechados. Então não há nenhuma perspectiva de trabalho por estes dias”, lamenta a cantora pernambucana radicada em Brasília e que espera em breve se mudar, realmente, para Portugal.

Leiria pelos olhos de Camilla Inês

5 comentários

  1. Adorei o depoimento! Quem seduziu quem? A brisa, o quindim ou a doce voz de olhos verdes que sentada à margem do Liz fez brotar uma linda canção para uma linda cidade? “Leiria, tuas ondas que cantam…” e Camilla que encanta Ateh a brisa.

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  2. Sou muito fã de Camilla Inês, eh uma artista sensível, intensa…consegue nos transportar para outro universo, quando canta e encanta com seu cavaquinho. Um show!!!!

    Curtido por 1 pessoa

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