Sou África antecipa o Lobo Fest, no CCBB

Sou África – O Cinema Africano do Presente chega ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB Brasília) ampliando o espaço para a cultura de matriz africana, retratada no evento Puroritmo, realizado no último fim de semana, e na mostra Ex-Africa, em cartaz.

americanas.comA mostra de cinema, que começa quarta (2/10) e segue até domingo (7/10) é uma prévia do Lobo Fest, festival de cinema que ocorrerá de 23 a 30 de outubro, também no CCBB, e que tem como objetivo mostrar a pluralidade da atual produção audiovisual no mundo,

No Sou África, serão exibidos 16 filmes, longas e curtas-metragens recentes produzidos em vários países da África Subsaariana. A programação inclui ainda sessão infanto-juvenil e homenagem ao cineasta de Burkina Faso, Idrissa Ouedraogo.

Um dos mais reconhecidos ícones do cinema africano, Ouedraogo morreu em fevereiro deste ano. Dele, serão exibidos dois dos seus filmes mais famosos: Samba Traoré e Tilai — Questão de Honra.

A musicalidade, cores, a natureza, os problemas sociais, a beleza do povo, o humor e as tradições africanas aparecem ainda em filmes como Wallay, de Berni Goldblat (Burkina Faso), e Felicité, do senegalês Alain Gomis.

As questões femininas aprecem nos documentários Soltar a Voz, sobre mulheres negras dentro do processo colonial europeu na África e nas Antilhas, e A Árvore Sem Frutos, que mostra o sofrimento das mulheres que não podem gerar filhos e a quebra de tabus.

Sou Africa
Felicité (Senegal, França, Bélgica, Alemanha, Líbano, 2017)

“A ideia é trazer um panorama audiovisual da África contemporânea que dialogue mais diretamente com o Brasil por questões históricas bastante óbvias. Por isso priorizamos a África Subsaariana”, diz o curador da mostra, Ulisses de Freitas.

Para ele, é preciso que o público tenha contato com esses filmes, “até porque o cinema africano já tem vida própria e uma história plena de grandes referências como Ousmane Sembène, senegalês, considerado o pai do cinema africano, ou Idrissa Ouedraogo, de Burkina Faso, nosso homenageado da mostra”.

Confira a programação e as sinopses dos filmes:

Félicité
Direção: Alain Gomis
(Senegal, França, Bélgica, Alemanha, Líbano, 2017, 123’)
A cantora Félicité vive com seu filho Samu, adolescente numa área pobre de Kinshasa (Congo). Samu, sofre um acidente e Félicité precisa juntar um dinheiro para que o rapaz não tenha a perna amputada. Felicité parte numa jornada individual pela cidade para resolver a situação.

Sou África
Wallay (França-Burkina Faso, 2017)

Wallay
Direção:Berni Goldblat
(França-Burkina Faso, 2017, 1h24)
Andy, de 13 anos é enviado de sua casa na França para morar com uma família que vive na área rural de Burkina Faso. O menino se depara com outros hábitos com os quais terá de se acostumar.

O Olho do Furacão (L’oeil du Cyclone)
Direção: Sekou Traoré
(Burkina Faso, 2015, 1h37)
Emma, uma jovem advogada, é a filha de um antigo gerente de vendas de uma empresa de mineração. Ainda criança ela teve que se refugiar durante uma ocupação na área de mineração por um grupo de rebeldes. Um dia, um juiz pede a Emma para defender um rebelde capturado pelo exército.

Nos Passos da Rumba (Sur le Chemin de la Rumba)
Direção: David Pierre Fila
(Congo, 2014, 1h38)
Os passos da rumba nos leva através da costa do continente africano, na bacia do Congo, Cuba, Equador à Costa do Marfim numa viagem recheada de relatos familiares e olhares apaixonados pela mistura que gerou a essência dessa arte musical africana, composta por olhares e ritmos da bacia do Congo, que lhe deram a forma e alma.

Sou África
Jimmy goes to Nollywood (Nigéria, 2014)

O Barco da Esperança (La Pirogue)
Direção: Moussa Touré
(Senegal, 2011, 1h27)
A história de um capitão de barco pesqueiro em Dakar, Senegal, chamado Baye Laye que é obrigado a levar trinta imigrantes ilegais para Espanha à bordo de uma piroga (uma pequena embarcação típica da África e Oceania). Muitos dos homens à bordo não consegem se entender e alguns sequer tinham visto o mar anteriormente.

Jimmy Goes to Nollywood
Direção: Rachid Dhibou e Jimmy Jean-Louis
(Nigéria, 2014, 52’)
Pouco conhecido do público em geral, Nollywood (“N” de Nigéria) é uma das maiores produtoras de cinema, à frente de Hollywood e logo atrás de Bollywood. A Nigéria produz todos os anos mais de 2000 filmes. Neste documentário, que tem como fio condutor o Africa Movie Academy Awards, Jimmy Jean-Louis irá nos apresentar a este rico panorama mergulhando diretamente no coração de uma África desinibida.

Sou África
Soltar a Voz (Ouvrir la voix) (França, 2017)

Soltar a Voz (Ouvrir la Voix) 
Direção : Amandine Gay
(França, 2017, 2h09)
Documentário sobre mulheres negras dentro do processo colonial europeu na África e nas Antilhas. O filme enfoca a mulher negra e os clichês específicos relacionados a duas dimensões indissociáveis das identidades “mulher” e “negra”.

L’arbre Sans Fruits (foto no alto da página)
Direção: Kidy Aïcha Macky
(Niger, 2016, 56’)
Casada e sem filhos, Aicha está em uma situação “fora do comum” em seu país por não poder gerar filhos.Com base em sua história pessoal, o filme explora delicadamente o sofrimento oculto das mulheres e quebra certos tabus.

La Sirene de Faso Fani
Direção: Michel K. Zongo
(Burkina Faso, 2015, 1h30)
Michael K. Zongo reabre o caso da terceira maior fábrica têxtil em Koudougou, em Burkina Faso, que foi fechada em 2001 e largada pra apodrecer, provavelmente registrada como dano colateral no FMI. Na busca, ele encontra antigos empregados da fábrica, sendo que algumas mulheres passaram a tecer nos quintais das casas. O documentário é uma homenagem à resitência africana perante a globalização, uma mostra do que o progresso no local.

Curtas-metragens

Visões (Visions)
Direção : Abba T. Makama, C.J. Obasi, Michael Gouken Omonua
(Nigéria, 2017, 19 min)
Uma antologia de três curtas-metragens (Shaitan, Brood, Bruja) do coletivo de cinema da Nigéria chamado Surreal16, composto por Abba T. Makama, Michael Gouken Omonua e C.J. “Fiery” Obasi.

Não me Esqueças (Forget me Not)
Direção : Shveta Naidoo
(África do Sul, 2018, 10 minutos)
O relacionamento de uma garota com uma cadeira vazia. Este filme é sobre uma jovem garota chamada Iris, cujo pai misteriosamente foi embora. Iris tenta lidar com a ausência de seu pai personificando sua antiga cadeira que ele deixou um de seus casacos.

Caça à Bruxa (Witch Hunt)
Direção : Solomon Onita Jr
(Nigéria/EUA, 2018, 22 min)
Um conto folclórico ambientado em uma aldeia da África Ocidental. Uma adolescente persegue um rapaz corcunda e é forçada a decidir se deve ou não seguir uma antiga superstição.

Homenagem a Idrissa Ouedraogo
Samba Traoré (Samba Traoré)
(Burkina Faso, França, Suíça, 1992, 85 min)
Samba foge para sua aldeia, depois de um assalto a um posto de gasolina. O amigo morre num tiroteio. Samba escapa com o dinheiro, mas perde a paz. Ele conhece Saratou. Os dois passam a viver juntos, dando apoio um ao outro, na tentativa de esquecer o passado.

Questão de Honra (Tilai)
(Burkina Faso, 1990, 81 min)
Saga volta a aldeia depois de uma ausência de dois anos. Muitas coisas mudaram. Sua noiva Nogma é agora a segunda esposa de seu pai, mas Saga e Nogma ainda se amam. Transgredindo as leis, os dois jovens têm um caso.

Sou Árica_Minga
Minga e a Colher Quebrada (Camarões, 2017)

África Infanto-juvenil

Sábado Cinema (Samedi Cinema)
Direção: Mamadou Dia
(Senegal, 2016, 12 min)
Duas crianças escrevem cartas para conseguir dinheiro para ir ao cinema. Mas sábado é sua última chance de assistir ao filme, pois o único cinema da cidade vai exibir sua última sessão.

Minga e a Colher Quebrada
Direção : Claye Edou
(Camarões, 2017, 1h20)
Minga é uma orfã que vive com sua madrasta Mami Kaba e sua meia-irmã Abena. Um dia, quando ela estava lavando pratos no rio, acidentalmente quebrou uma colher. A furiosa madrasta a expulsa de casa e exige que ela encontre a única colher idêntica escondida por sua falecida mãe. Começa a jornada aventureira de Minga na floresta.

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Sou África – O Cinema Africano do Presente
De 2/10 a 7/10, no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul). Entrada franca (retirada de ingressos na bilheteria do CCBB). Veja a programação no site do CCBB.

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