Exposição na Caixa destaca criação feminina

Tarsila do Amaral, Djanira da Motta e Tomie Ohtake. Em comum, além de serem grandes artistas brasileiras, estão representadas na mostra Artistas no Acervo da Caixa, na Caixa Cultural (Setor Bancário Norte) até 22 de julho, com 49 obras, entre desenhos e gravuras, de 31 artistas mulheres de todo o país.

Das mais renomadas, como Fayga Ostrower e Maria Bonomi, às menos conhecidas pelo público geral, mas cujo primor técnico é bem avaliado pela crítica de arte — a exemplo de Lêda Watson e Anna Letycia.

Essa mostra traz dois aspectos que a tornam especial. O primeiro é que todas as peças exibidas, embora sejam feitas por artistas de diferentes regiões do Brasil, fazem parte de uma coleção inteiramente brasiliense.

caixa cultural tarsila do amaralAlém disso, começaram a ser exibidas após uma nova política da Caixa Cultural em usar uma das galerias para apresentar o acervo do banco. Ou seja, ir à exposição é uma forma de valorizar um acervo raro na capital.

O segundo é o fato de a exposição desconstruir uma história da arte feita basicamente por homens para reconstruir sob a perspectiva das mulheres.

Daí, a representação do corpo, da sensualidade, da maternidade, da paisagem, das festas urbanas e das formas abstratas são apresentadas a partir de olhares pouco reconhecidos na arte brasileira. Aqui apresento alguns destaques da exposição:

Seria muito difícil não começar por Tarsila do Amaral. Um dos grandes nomes do Modernismo nacional, a paulista trouxe a estética de Fernand Léger, seu amigo e professor em Paris, para o Brasil – colocando os nossos conflitos na tela, é claro.

É o caso da obra Estrada de Ferro Central do Brasil (foto acima), na qual a urbanização de São Paulo aparece em meio a elementos comuns à natureza brasileira (palmeiras e outras vegetações), que perdiam espaço rapidamente.

caixa cultural djanira

Aproveitando a geometrização do modernismo, Djanira da Motta recriou a arte popular do país utilizando temas nacionais por meio de características do povo brasileiro. Em Independência (acima) vemos um cenário diferente daquele imortalizado por Pedro Américo na tela Independência ou Morte.

Não há uma cena de batalha, muito menos homens uniformizados em posição de guerra. Pelo contrário, há homens e mulheres brancos, negros e mestiços, pombas da paz, bandeiras do Brasil e de vários estados e muita cor.

Todas representando as bandeiras de cada região do país. Uma bela leitura deste momento marcante, não é?

caixa cultural bianca

O ativismo político também está em alta entre as mulheres. Ao menos, é o que nos mostra a calcografia Lamentáveis Enganos, de Branca de Oliveira. Feita em 1980, ou seja, em plena Ditadura Militar, a artista trouxe à tona a obscura morte do jornalista Vladimir Herzog por meio de apagamento da sua imagem, numa clara referência ao apagamento dos fatos, da memória dos horrores promovidos neste período.

caixa cultural pietrina checcacci

Por fim, vale prestar atenção na tela Brasil, Brasília, Corpo Mulher, de Pietrina Checcacci. O que em uma rápida passada de olhos parece ser dunas de areia num crepúsculo revela derrières femininos bastantes sensuais. É uma das formas de utilizar a abstração das formas para insinuar figuras humanas. Quente, não?

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