Paraíso Perdido celebra a liberdade de amar

Paraíso Perdido, novo filme de Monique Gardenberg (Jenipapo, Ó Paí Ó) é capaz de despertar opiniões (negativas ou positivas) tão radicais quanto as que retrata na trama e nas canções românticas cantadas ao longo dela.

As canções, aliás, são o grande trunfo do longa. Músicas de Odair José, Reginaldo Rossi, Márcio Greyk, entre outros ícones do cancioneiro romântico popular brasileiro, são interpretadas pelos personagens o tempo todo.

Isso leva a pensar que Paraíso Perdido ficaria melhor como musical no palco do que no cinema. Mas, ao mesmo tempo, dinamiza e adorna a narrativa de forma a torná-la mais atraente, sobretudo para quem conhece aquelas músicas de cor.

As letras sobre amores intensos e dolorosos são ilustradas pelas experiências dos próprios persogens, envolvidos numa trama folhetinesca, que começa quando uma garota de 18 anos, grávida, mata um homem a tiro.

O exagero visual, a explosão de cores definem o que parece ser a proposta do filme: Gardenberg cria um espaço imaginário, meio irreal, um “paraíso perdido” onde o amor brota sem qualquer pudor.

Mas essa fantasia cria um link com a realidade por enfrentar o moralismo tão em voga, reafirmando que “qualquer maneira de amor vale a pena” — inclusive o amor de amigo. O que fica bem evidente na cena do parque, em que todos os personagens celebram.

Paraiso Perdido
Julio Andrade, Erasmo Carlos, Seu Jorge e Lee Taylor

De canção em canção, a diretora arrasta o espectador para esse mundo de paixões arrebatadoras. O centro dele é a boate Paraíso Perdido, pertencente a uma família liderada pelo avô José (Erasmo Carlos).

Com ele estão o filho Angelo (Julio Andrade), os netos Imã (Jaloo) e Celeste (Julia Konrad) e o amigo Teylor (Seu Jorge). A sexta parte da trupe é Eva (Hermila Guedes), que está presa justamente por ter cometido o assassinato do início da história.

A chegada de Odair (Lee Taylor), um policial civil que é contratado para fazer a segurança de Imã, após a draq queen levar uma surra de homofóbicos na rua, vai desenrolar o novelo e revelar o passado, o que envolve também a mãe surda do policial, Nádia (Malu Galli).

Paraiso Perdido
Hermila Guedes e Marjorie Estiano

Paraíso Perdido, enfim, é folhetim, é música romântica (ou brega, como queiram), é uma celebração ao amor e à liberdade de amar (e de sofrer por isso), e nisso Monique Gardenberg manda bem seu recado.

Por outro lado, o longa é irregular. Alguns personagens, por exemplo, são mal explorados. É o caso da Milene (Marjorie Estiano) e de Teylor (ainda assim Seu Jorge está engraçadíssimo).

É o caso também de Pedro (Humberto Carrão). O professor de inglês fica apavorado pela atração que sente por uma drag queen, é certo, mas tem uma postura um tanto tosca, de adolescente, em suas entradas e saídas bruscas de cena.

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Paraíso Perdido
(Brasil, 2018). De Monique Gardenberg. Com Lee Taylor, Erasmo Carlos, Hermila Guedes, Jaloo, Humberto Carrão e Seu Jorge. Em cartaz no Espaço Itaú de Cinema (16h40) e no Cine Cultura Liberty Mall (20h50).

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