Em Inhotim, bela amostra da fotografia brasileira

Em um lugar como Inhotim, é fácil perder-se diante das gigantescas instalações criadas por artistas como Tunga, Adriana Varejão, Cildo Meireles e Lygia Pape. Mas não se permita sair do sítio-museu mineiro sem conhecer as galerias dos celebrados fotógrafos Miguel Rio Branco e Claudia Andujar.

Localizados em um dos pontos mais altos de Inhotim, ambas as galerias estão instaladas em dois prédios impactantes. O de Miguel Rio Branco parece a proa de um gigantesco navio feito com placas de metal.

O de Claudia Andujar, o segundo maior edifício do sítio-museu, é feito de tijolo aparente, sendo batizado de Maxita Yano (casa de barro, na língua Yanomami) pelos indígenas no dia da sua inauguração.

associados728x90._CB478039579_
Mas impressionante mesmo é o acervo guardado dentro desses prédios. Mais do que uma retrospectiva dos trabalhos dos fotógrafos, Inhotim permite que o visitante faça uma verdadeira imersão no universo dos artistas por meio de jogos de luz e som.

Inhotim / Galeria Miguel Rio Branco

Galeria Miguel Rio Branco
No espaço destinado às produções do artista espanhol radicado no Brasil desde a década de 1960, há mais de 100 imagens provenientes de 12 séries fotográficas realizadas ao longo de toda a sua carreira.

Há registros de cenários urbanos que tratam da pobreza, da violência e do abandono, mas dificilmente o visitante vai identificar o lugar ou data em que cada foto foi realizada. O artista (e o museu) tenta nos provar: trata-se de uma situação permanente, imutável.

Das obras de Miguel Rio Branco se tira, então, a trágica (e deprimente, é verdade) constatação de que a destruição não é algo passageiro, mas um estado permanente àqueles que se encontram na marginalidade.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Daí, compreende-se o motivo de apresentar prostitutas, mendigos, crianças pobres, comerciantes decadentes, carros antigos quebrados, casas e prédios desmoronados, bichos largados, obras de arte em ruínas, etc. – tudo, é claro, sem perder aquela essência da cultura popular, da vida que se manifesta a partir desta realidade.

Em uma das salas da galeria, fotos com personagens apontando e olhando para a câmera (e, portanto, para o observador) são projetadas em grande dimensão em panos brancos que formam quatro “paredes”.

Ali, o visitante pode se posicionar ao centro e observá-las serem trocadas umas pelas outras, aos poucos, ao mesmo tempo em que ouve sons de gritos infantis e risadas ácidas. É de arrepiar.

IMG_4422.JPG

Galeria Claudia Andujar
Um dos espaços expositivos mais novos de Inhotim, inaugurado em novembro de 2015, celebra a trajetória da suíça (naturalizada brasileira desde a década de 1950) com mais de 400 fotografias, realizadas entre a natureza e a vida indígena ao norte do país.

O trabalho de Andujar é a perfeita conjugação entre arte e engajamento. Seus registros foram essenciais para a demarcação de terras do povo indígena Yanomami, além de trazerem um novo olhar sobre a representação do indígena na arte brasileira.

Se antes o que havia era um índio europeizado, com corpos e rostos de traços finos comuns ao Velho Continente, e um certo exotismo na relação desses povos com a natureza, a fotógrafa aposta num olhar fragmentado, repleto de luz e sombras – uma intimidade da qual jamais teremos total acesso, mas que nos fascina mesmo assim.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Dessa forma, as fotos trazem índios imersos na escuridão, em movimento, cuidando de seus filhos, em meio a seus rituais, etc. O que parece ser alguém morto é, na verdade, alguém em transe; o que parece uma figura assustadora é, na verdade, uma criança brincando, e por aí vai.

Para além do trabalho realizado com os indígenas, a fotógrafa investiu nos registros da flora da Amazônia, que apontam a beleza ímpar de plantas, flores e rios por meio das cores, das texturas e das formas incomuns.

Numa das salas há um excelente trabalho expográfico que traz várias fotos juntas, parecendo formar um único cenário idílico. Imperdível.

________________________________________________

Instituto Inhontim
Rua B, 20, Fazenda Inhotim, Brumadinho, Minas Gerais. Terça a sexta, das 9h30 às 16h30; sábado, domingo e feriados, das 9h30 às 17h30. Ingressos a R$ 44 (inteira) e R$ 22 (meia) — quarta-feira, entrada gratuita. Mais informações no site da instituição.

Anúncios