Mostra na CAL reflete sobre o universo LGBT

A exposição O Tempo de Nossas Vidas, que será inaugurada na Casa de Cultura da América Latina (CAL) nesta quarta-feira (6/6), é, mais que uma manifestação estética, um ato político.

A obras de 18 artistas reunidas na mostra compõem uma reflexão sobre o universo o universo de gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais, especificamente sobre temas como envelhecimento, ativismo político e violência.

O curador Clauder Diniz procurou destacar os efeitos do tempo na vida de cada um, selecionando trabalhos que expressam o momento em que a maturidade chega, trazendo vulnerabilidade física, solidão, problemas de saúde e isolamento social.

Diniz lembra que, numa sociedade que valoriza a beleza e o vigor da juventude, os idosos costumam ser invisibilizados. “No caso dos LGBTS, pouco sabemos sobre eles, mesmo reconhecendo que estão por aí”, ressalta.

Os homossexuais que se assumiram na década de 1970, anos da liberação dos costumes, chegaram à velhice enfrentando problemas diversos. Da baixa expectativa de vida de pessoas trans (35 anos) à falta de políticas sociais e de saúde para a comunidade LGBT.

Isso está refletido nas criações de 18 artistas contemporâneos, quatro deles estrangeiros — os cubanos Rocio Garcia e Alexander Lombaina, o mexicano Nelson Morales e o nicaraguense Fredman Barahona.

O Tempo de Nossas Vidas_Gê Orthof/Foto: Caio Sato
Detalhe de instalação de Gê Orthof

Morales é fotógrafo e tem registrado os muxes, da etnia zapoteca, do sul do México –indivíduos não-binários, que se relacionam sexualmente com homens e mulheres, considerados o terceiro gênero, culturalmente aceitos e respeitados pela comunidade.

Entre os brasileiros, estão Gê Orthof e Bia Medeiros, ambos apresentando instalações. Ele fala do desejo utilizando-se de imagens de nus masculinos, baralhos eróticos e citações literárias. Ela, lésbica, recorre em seu trabalho a imagens fragmentadas do próprio corpo.

Há ainda trabalhos de Célio Braga, Francisco Hurtz, Maria Eugênia Matricardi, Rafael Bqueer e Leci Augusto, entre outros. As obras exploram temas como machismo, comportamentos heteronormativos, homofobia e questões ligadas ao HIV.

Mas Clauder Diniz pensou O Tempo de Nossas Vidas de modo a encerrá-la com uma nova geração de artistas que aposta em um outro mundo. Aí surgem produções que remetem ao ambiente das redes sociais e das provocações, do ativismo político e do combate ao ódio.

A exposição faz parte do 15º Seminário LGBT do Congresso Nacional, programado para esta quarta-feira, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Este ano o evento tem como tema principal o envelhecimento e morte na perspectiva da comunidade LGBT.

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O Tempo de Nossas Vidas
Abertura dia 6/6 (quarta), às 19h. Em cartaz até 17/7, segunda a sexta das 9h às 20h e sábado das 9h às 17h, na Casa da Cultura da América Latina — CAL (Setor Comercial Sul, Quadra 4, Edifício Anápolis). Entrada franca.

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