Festival mostra o poder da Suíça no cinema atual

Por Paulo Lannes
Colaborador do Boníssimo

Mais que um evento institucional do Centro Cultural Banco do Brasil, o 7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo mostra que o país europeu não deixa nada a dever ao mundo em seu catálogo de obras cinematográficas produzidas atualmente.

Entre as joias trazidas ao Brasil pelo festival está o documentário Be’Jam Be – Esse Canto Nunca Terá Fim, que narra a trágica história de uma tribo indígena da Malásia com uma técnica impecável.

A obra nos deixa claro que a luta dos indígenas por uma vida digna não é um problema essencialmente brasileiro, ao trazer a história do povo Penan do Sarawak, que vive na Ilha de Bornéu (Malásia).

O filme aposta na defesa pela poética da vida indígena ao mostrá-los cantando suas músicas sobre a terra, o cotidiano e o medo que sentem em perder tudo. É o uso da arte como arma contra a violência.

Também merece atenção o longa-metragem Diário da Minha Cabeça, dirigido por Ursula Meier, que representou a nova geração de cineastas ao presidir o Júri da Câmera de Ouro do Festival de Cannes em 2018.

O festival, em cartaz no CCBB de Brasília até 10 de junho, vai exibir 14 longas-metragens, entre ficções e documentários, além  oito curtas. Todas as sessões são gratuitas. A programação completa do evento pode ser verificada no site do espaço cultural.

Mas, para além da diversificação do circuito de cinema em Brasília, o festival traz uma safra de filmes novíssimos, lançados neste ano ou em 2017. E muitas dessas obras mexem justamente com temas espinhosos do mundo atual.

Em Diário da Minha Cabeça, conta-se a história de um garoto que resolveu matar os pais com o objetivo de mostrar ao mundo seus medos e desejos. Porém, a diretora não toma o rumo de uma narrativa investigativa cheia de tramas e atuações fantasiosas.

O que vemos é uma trajetória racional e, pior, perfeitamente possível de ocorrer na vida real. É de deixar qualquer um com o coração na mão. Além disso, o filme traz à tona um debate tão atual quando o de Depois da Guerra, outro titulo da mostra.

O longa narra a história de Marco Lamberti, ex-militante italiano acusado de terrorismo por matar, em 2002, um professor universitário que havia discutido com seus alunos ao defender o corte de direitos trabalhistas na Itália.

A acusação se transforma em uma gigantesca perseguição política, que afeta diretamente a família de Marco – ainda que não se tenha certeza de que ele foi realmente o culpado pelo assassinato.

Daí, todas as consequências servem de debates para os reais perigos oferecidos pelo extremismo e pelo justiçamento, esta justiça que as pessoas insistem em fazer com as próprias mãos.

Vale ressaltar que o filme foi inspirado em uma história real. Em 2002, o jurista Marco Biagi foi morto por ser um dos responsáveis pela reforma trabalhista de Silvio Berlusconi, que afetou diretamente a classe operária italiana.

Já na área documental, destaca-se na seleção da mostra o Sobre Ovelhas e Homens (foto no alto), de Karim Sayad. O cineasta virá a Brasília para um debate sobre a obra no dia 29/5, às 20h30, no cinema do CCBB.

Karim traz a história dos pastores de ovelhas Habib e Samir, que vivem em pobres comunidades da Argélia.  Com proximidade do Ramadã, data sagrada no mundo islâmico, eles se veem obrigados a lidar com questões difíceis, que mostram a falta de perspectiva de suas vidas.

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7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo
Até 10/6, em diversos horários, no Cnetro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul). Entrada franca. Veja a programação completa no site do CCBB.

 

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