The Alienist é um ótimo suspense e algo mais

Por Rosualdo Rodrigues
Editor do Boníssimo

The Alienist é uma minissérie de suspense de primeira linha. A começar pela preciosa reconstituição de ambiente e costumes da Nova York do fim do século 19 e pelo bom desempenho do trio de atores principais, confortáveis em seus personagens.

E, o mais importante, pela trama intrigante e instigante, cujos nós vão sendo desatados num ritmo de fazer o espectador roer as unhas.  Ou não conseguir se desligar até que o último dos 10 episódios.

È uma adaptação do livro homônimo do americano Caleb Carr, que foi best-seller quando lançado, em 1996. Milos Forman foi um dos cineastas que cogitaram levar o livro às telas, mas desistiu pela dificuldade da história intricada.

Só 10 episódios mesmo para destrinchá-la. E foi a TNT que bancou a produção, agora disponível na Netflix — que teima em não diferenciar uma série de uma minissérie, como é caso desta, que se resolve no último capítulo e, portanto, não terá nova temporada.

A história gira em torno da investigação de uma série de assassinatos de garotos que se prostituem vestidos de mulher. Todos imigrantes tentando sobreviver no lado podre da Grande Maçã.

O alienista do título é Laszlo Kreizler (Daniel Brühl, de Bastardos Inglórios) um psiquiatra com pensamento de vanguarda para a época e obcecado em compreender o que faz um ser humano praticar atos tão hediondos.

O Alienista2

Dr. Kreizler empreende uma investigação tão determinada que adquire o despeito de parte da força policial. A ele se juntam um ilustrador de jornais, John Moore ((Luke Evans, de O Hobbit) e a secretária do chefe da polícia Sara Howard (Dakota Fanning, de A Guerra dos Mundos).

Mas quanto menos se falar sobre a história, melhor para quem ainda não viu. Só digo que mesmo ela sendo tão boa, The Alienist ainda traz um detalhe que a torna ainda mais interessante.

Apesar de se passar no fim do século 19, a produção deixa em evidência temas que estão no centro do debate hoje em dia. O ódio contra homossexuais e imigrantes, a discriminação da mulher, o corporativismo e a corrupção policial…

E assim, sem querer provocar uma discussão, mas já provocando, The Alienist nos passa na cara questões que seriam velhas se parte da humanidade não teimasse que mantê-las. E nisso reside mais um motivo para vê-la.

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