Mostra de Basquiat abre sábado (21) no CCBB

Por Daniel Mello
Da Agência Brasil

A mostra Basquiat — As Obras da Coleçao Mugrabi será aberta em Brasília no próximo sábado (21/4), no Centro Cultural Banco do Brasil. Chega justamente no dia de aniversário da cidade, como um presente.

Com 80 peças, a exposição faz uma retrospectiva da obra de Jean-Michel Basquiat. Apesar da curta carreira, entre os 17 e 27 anos, o nova-iorquino teve uma produção intensa, sendo considerado um dos nomes mais importantes da década de 1980.

Os trabalhos expostos no CCBB apresentam o pintor, desenhista e gravurista desde o início da carreira com os graffiti até o auge do processo, quando alcançou patamar elevado de valor no mercado da arte.

Jean Michel Basquiat/Foto: Alexis Adler
O artista fotografado pela ex-namorada Alexis Adler

“A obra dele manteve a atualidade, um fascínio, tanto da parte visual, estética, quanto do conteúdo”, ressalta o curador Pieter Tjabbes, ao comentar como os trabalhos ainda mostram forte apelo, especialmente entre os jovens.

“Ele tem um trabalho intuitivo. Insere tudo o que está fazendo, pensando, o que está acontecendo ao redor dele entra nas obras, seja em imagens, seja em palavras. Ele é uma esponja”, acrescenta, ao explicar um pouco sobre o método de Basquiat.

O artista costumava deixar o rádio e a televisão ligados ao mesmo tempo enquanto trabalhava no ateliê. “Ele era bombardeado por todas essas informações o tempo inteiro”. Essa estimulação parece ser, na opinião do curador, um traço que aproxima Basquiat das gerações atuais.

Basquiat no CCBB São Paulo/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Ele está em constante contato com o mundo ao redor. Isso talvez seja parte do apelo que tem hoje, essa nova geração é totalmente antenada, 24 horas por dia conectada em informação”

A imersão era tão intensa que até o apartamento onde vivia se tornava parte de sua obra. “Ele pinta tudo que está no apartamento: a geladeira, a porta do banheiro”, comenta o curador.

Essa porta, assim como outros objetos semelhantes usados como suporte pelo artista – esquadrias de janela e peças de madeira – pode ser vista na mostra. A exposição é, segundo Tjabbes, a maior do artista feita no Brasil.

Basquiat no CCBB São Paulo/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O talento ímpar e o esforço trouxeram resultados rápidos para o jovem artista. Em 1982, com 21 anos, chegou a participar da Documenta de Kassel, na Alemanha, uma das principais mostras de arte contemporânea do mundo.

O renome fez com que o valor de suas obras também subisse rápido, uma das razões, segundo Tjabbes, pelas quais é difícil encontrar os trabalhos de Basquiat em museus e instituições públicas.

“Quando os museus começaram a se interessar, os preços já estavam proibitivos. O resultado é que relativamente poucos museus têm obras dele nas coleções”, diz. As obras da exposição do CCBB são de uma coleção particular.

 

Basquiat no CCBB São Paulo/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Apesar da rápida ascensão, Basquiat ainda se sentia afetado pelo racismo, e a temática negra era uma presença constante em suas obras. “Ele era um artista negro, afroamericano, dentro de um meio de artes que era quase totalmente branco”.

“Então, a obra sempre permeia esse viés de crítica sobre o sistema. Basquiat ressalta muito negros importantes na música e nos esportes”, lembra Pieter Tjabbes.

A música, em especial o hip hop, era outra influência importante em seu trabalho. “A ligação que a obra dele tem com a música falada”, destaca o curador. Mesclar palavras com imagens é também uma característica marcante de várias obras.

Basquiat no CCBB/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Assim como a inserção de desenhos por meio de colagens. “O desenho aparece tanto como desenho mesmo, como nos quadros. Ele insere nos quadros, cola, pinta por cima”.

A exposição fica em São Paulo até abril, de onde segue para as unidades do CCBB em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, encerrando as exibições no Brasil em janeiro de 2019.

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