“Everything Sucks”: terno retorno aos anos 1990

“Everything Sucks”, série que estreou esta semana na Netflix, está para os anos 1990 como “Stranger Things”, outra produção do serviço de streaming, está para os anos 1980: trama centrada em adolescentes e muitas referências às respectivas décadas.

As semelhanças acabariam aí se Peyton Kennedy, que faz a Kate Messner em “Everything Sucks” não fosse a cara de Gaten Matarazzo, o Dustin Henderson de “Stranger Things”. Mas isso é tudo.

Enquanto “Stranger…” se volta para um enredo fantástico, a nova série é a crônica do cotidiano numa escola de uma cidadezinha do interior do Oregon, Boring — embora o nome pareça uma ironia dos criadores, Ben York Jones e Michael Mohan, a cidade de fato existe.

 

A produção original Netflix estreia com um pacote de 10 episódios, mas tem tudo para emplacar mais algumas temporadas. Personagens cativantes, bom humor, situações tocantes, trilha sonora saudosista, bons diálogos…

O trio de amigos adolescentes como ponto de partida para a trama pode sugerir que “Everything Sucks” é mais do mesmo. Mas, ao mesmo tempo em que se vale de clichês para remeter à época, a produção tenta escapar de fórmulas.

Jones e Mohan já começam saindo do comum ao colocar como protagonistas um menino negro, Luke O’Neil (Jahi Di’Allo) — em produções sobre adolescentes o garoto negro era sempre secundário, o engraçadinho da turma — e uma menina lésbica.

Everything Sucks 2

O drama de  Kate toma boa parte dos episódios iniciais e dá um tom melancólico à série. Ela é órfã de mãe e o pai (Patch Darragh), diretor da escola, é um homem solitário e por vezes patético.

Embora provoque boas risadas, “Everything Sucks” deixa evidente sua intenção de tratar de questões sérias. As dores do crescimento estão expostas, por exemplo, na história de Luke, forçado a amadurecer pela falta do pai (que foi embora)  e da mãe, aeromoça.

Isso sem contar as sequências de bullying pesado… Mas melhor parar sob risco de spoilers. Basta dizer que, se você viveu a década de 1990, vai amar a série. Tori Amos, Oasis, Spin Doctors e clipes da MTV são só algumas das citações que mexem com a memória.

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