“Yoga”, de Heitor Dhalia: experiência introspectiva

“Yoga – Arquitetura da Paz”, documentário de Heitor Dhalia (“Serra Pelada”), chegou à Netflix exatos dois meses depois de estrear nos cinemas. Se for vê-lo, certifique-se de que nada vai lhe tirar o foco. O filme será melhor apreciado se visto com concentração.

O diretor — que em março chega às telas com a ficção “Tungstênio” — usa como fio condutor do longa o fotógrafo americano Michael O’Neill, que se propõe a fotografar os principais gurus de ioga em atividade, na Índia, no Tibete e em Nova York.

Dispensando a narrativa ou explicações mais didáticas, Heitor Dhalia deixa as palavras exclusivamente a cargo desses mestres. Enquanto a câmera cria belas imagens que se complementam com as fotografias de O’Neill.

O impacto visual (que deve funcionar melhor ainda na telona) e a trilha new age (ainda se usa esse termo?) criam um clima zen, de elevação, chamando o espectador a uma imersão, a esquecer por uma hora e 27 minutos o mundo caótico em que vivemos.

Por sua vez, os depoimentos dos entrevistados, carregados de filosofia e pontos de vista sobre temas como paz, percepção da realidade e morte, nos convidam à reflexão.

Tudo isso faz com que a experiência de assistir a “Yoga — Arquitetura da Paz” seja mais que a de uma sessão de cinema comum. É quase uma pausa para meditação, uma viagem introspectiva. Pode não lhe tornar um adepto da ioga, mas pode afetar suas impressões a respeito da realidade tal qual a percebemos.

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