“The End of The F**ing World”: amargo e doce

Estreou na Netflix a série inglesa “The End of The F**ing World”, baseada na novela gráfica “The End Of The Fucking World”, de Charles S. Forsman, também conhecida por “TEOTFW”.

A comédia de humor negro é daquelas que você vê um episódio e não para até chegar ao último — a temporada tem oito no total. A adaptação consegue manter, de certa forma, a narrativa ágil das HQs. Mas não é só por isso que a série nos absorve.

A aventura niilista dos adolescentes James e Alyssa tem uma fascinante mistura de melancolia e amargura — e, no fundo, uma gota doce. As ótimas atuações de Alex Lawther e Jessica Barden, por sua vez, são outro trunfo.

James e Alyssa têm, ambos, 17 anos. Ele mora sozinho com o pai e não consegue sentir nada — dor, alegria, tristeza, tesão (masturba-se uma vez por semana por recomendação médica). Acredita ser psicopata e se torna um serial killer de pequenos animais.

Ela vive com a mãe e o padastro, que têm também um casal de gêmeos. Mesmo sendo um babaca que assedia a enteada, o tal padastro acredita que teria o lar perfeito se não fosse a presença da menina problemática.

Alyssa parece o alvo perfeito quando James resolve que está na hora de matar “algo maior”. Ele aproxima-se da nova colega de escola e finge estar apaixonado. Até que ela sugere que roubem o carro do pai dele e ganhem o mundo.

The End Of The Fuking World2

O mais angustiante em “The End of The F**ing World” é a impossibilidade de comunicação entre pais e filhos. A arrogância juvenil acaba por ser uma forma de defesa diante daquele mundo que não conseguem compreender, e tampouco se adaptar.

Diante de uma situação extrema, Alyssa age exatamente como vê nos filmes — é a referência que tem também para lidar com a vida. “Isso não é um filme. Se fosse seríamos americanos”, diz a certa altura.

Em 2014, o criador da série, Jonathan Entwistle, dirigiu um filme para tevê baseado na novela gráfica. Isso, certamente, deu-lhe intimidade para voltar à história. Fez uma série que, embora, seja sobre adolescentes,  é mais indica para adultos.

Um indício é a trilha sonora pop, repleta de canções pop retrô, como “Voilá”, de Françoise Hardy, “The Day We Fell in Love”, de The Ovations, e “Zu Zu”, de The Bonnevilles. Ouve só:

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