“O Rei do Show” é fantasia açucarada e escancarada

Fãs de Wolverine que forem ver “O Rei do Show” só por causa da presença de Hugh Jackman devem estar cientes que este musical ao estilo Broadway é exatamente o oposto do melancólico “Logan”, realizado pelo ator no mesmo ano de 2017.

A história do empresário P. T. Barnun bem que poderia render um filme igualmente sombrio. Mas o diretor estreante Michael Gracey optou por criar uma fantasia açucarada e escancaradamente voltada à pura diversão.

Para enfrentar os críticos que reclamarem densidade, Gracey conta com uma obra que se autojustifica. Na história, Barnun cria um espetáculo usando pessoas incomuns, como um homem gigante, uma mulher barbada, um par de gêmeos siameses…

Ganha dinheiro, mas não o reconhecimento da sociedade nova-iorquina. Tampouco o respeito do sogro ricaço, que não o aceita como o genro. Mas depois de reviravoltas e lições de vida, o empresário do incipiente showbiz conclui: divertir é a arte mais nobre.

E é isso que “O Rei do Show” faz. Michael Gracey romantiza o polêmico personagem de Hugh Jackman e o que poderia haver de bizarro no elenco de seu show. Simplifica situações, entrega tudo mastigadinho.

Uma meia dúzia de boas canções, um visual extravagante que lembra a estética kitsch de “Moulin Rouge”, uma seleção de bons atores-cantores e pronto. Tem-se diversão acessível e bem empacotada.

“O Rei do Show”, enfim, não é menos que isso: duas horas de bom entretenimento. E não se assuste que se, em breve, estiver em cartaz na versão para os palcos, na Broadway. Afinal, o filme segue uma fórmula toda copiadinha de lá. Ouve só a trilha sonora:

Anúncios