“As Telefonistas”: crime e cura gay na 2ª temporada

A segunda temporada da série espanhola “As Telefonistas” (“Las Chicas del Cable”) estreou na Netflix no último dia 25, como um presente de Natal para quem assistiu e roeu as unhas com as tramas da temporada anterior.

E que presente, viu?! São oito episódios que confirmam o teor viciante da série ambientada nos anos 1920. Um emaranhado de situações que se entrelaçam com uma fluidez impressionante, mudando de rumo a todo instante.

“As Telefonistas” é, na verdade, um novelão despudorado, na melhor tradição do folhetim, só que vestido num corte novo. E não só pelas impecáveis fotografia e direção de arte, pela beleza e elegância do elenco e pela trilha pop moderninha em inglês.

Para começar, não há mocinhos nem mocinhas. Vilanias, trapaças, traições, segredos e conspirações e outros pecados brotam de todo lado, inclusive das protagonisas, quatro amigas, funcionárias de uma empresa telefônica em Madri.

Juntas, enfrentam os empecilhos advindos do fato de serem mulheres e têm que brigar o tempo todo para sair da sombra dos homens. A atualização do folhetim, portanto, vem também pelo viés feminista do texto, que põe o romantismo em segundo plano.

Nesta temporada, a trama, que já tratava do amor a três entre Carlota (Selan Victor), Miguel (Borja Luna) e Sara (Ana Polvorosa), se aproxima mais do nosso tempo ao trazer temas como transsexualidade e cura gay.

Sem entender o fato de se achar estranha num corpo feminino, Sara procura um médico em busca de respostas. Acaba sendo submetida a violento tratamento de “cura”. Essa situação mais um crime envolvendo as quatro amigas evidencia outra palavra em moda: sororidade.

Quanto ao crime, melhor não dizer mais, sob risco de cair no spoiler. E a graça de “As Telefonistas” está justamente nas reviravoltas e revelações oferecidas pelos criadores  Ramón Campos, Teresa Fernández-Valdés e Gema Neira a cada cinco minutos.

De um jeito tal, que, depois de devorar os oito novo episódios, a gente fica torcendo para que não tenhamos que esperar o Natal de 2018 para assistir à terceira temporada. É muito tempo de abstinência!

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