Melhores 2017, pela turma da Marcondes & Co.

Por Gustavo Marcondes e Ciro Inácio Marcondes
Da Marcondes & Co. (*)

Yes, nós da Marcondes & Co. também temos nossa lista de favoritos de 2017, um ano pra lá de animador para quem, como nós, preza pela sobrevivência do rock. Dá uma olhada aí em baixo nos 20 discos internacionais que fizeram nossa cabeça neste ano.

De quebra, ouve a playlist que fizemos no Spotify com o melhor dos últimos 12 meses, com muito rock n’ roll, mas também pop, hip hop, folk e algumas estranhezas. São mais de 100 músicas, incluindo, além dos melhores, artistas que não couberam na lista principal.

E os melhores de 2017 são…

CD_Sleep Well Beast The National

1) “Sleep Well Beast”, The National
A beleza do som do National está em sua sobriedade e solidez, além de letras muito humanas sobre pessoas à beira do colapso. “Sleep Well Beast” tonifica esses elementos milimetricamente, sendo um dos mais bem produzidos e significativos lançamentos da banda. Rock pra adulto? Sim, e mais necessário do que nunca neste mundo afundado num imaginário descartável e infantiloide.

CD American Dream LCD Soundsystem2) “American Dream”, LCD Soundsystem
Após um hiato de sete anos, James Murphy retorna com um sombrio e genial retrato da era Trump, embebido de pessimismo e ironia sobre temas como envelhecimento, drogas, amizade e amor em uma camada pesada de punk sintético. Os tempos de festa ficaram (há muito) para trás, mas o LCD Soundsystem segue cada vez mais relevante.

CD Humanz Gorillaz3) “Humanz”, Gorillaz
Quem conhece o Gorillaz sabe que eles nunca entregam um disco igual ao outro. “Humanz” leva esta premissa ao limite com uma pesada seleção de hip-hop e estranhezas difícil de deglutir a princípio, mas que vai revelando aos poucos sua genialidade conceitual e profundo afinamento com a música contemporânea.

CD A Deeper Understanding, War on Drugs4) “A Deeper Understanding”, War on Drugs
Quem se aventura a mergulhar nas ambiciosas camadas de som criadas por Adam Granduciel em “A Deeper Understanding” acaba recompensado após alguns (quanto mais melhor) giros nesse belíssimo disco, que presta homenagem tanto aos anos 70 quanto aos 80 sem soar pastiche de nenhum deles e, melhor, sem concessão comercial.

CD Need to Feel Your Love Sheer Mag5) “Need to Feel Your Love”, Sheer Mag
Fãs do hard rock setentista têm imensa dificuldade de se encontrar no indie dos anos 2010. Pois agora a solução é botar pra rodar o álbum de estréia dessa banda da Filadélfia, que nos leva de volta no tempo sem soar forçado e com bastante personalidade. Excelente da primeira à última faixa.

CD Slowdive Slowdive6) “Slowdive”, Slowdive
Shoegazers, góticos e indies em geral esperaram décadas por este disco. “Slowdive” tem produção requintada, calibrada perfeitamente nas melodias tristes e oníricas da banda. Uma pílula dourada próxima da perfeição noventista.

CD Damn Kendrick Lamar7) “Damn”, Kendrick Lamar
O que dizer de um artista que lança a terceira obra-prima em seis anos (além de um excelente álbum de sobras no meio do caminho)? Esqueça a persona, a marra ou qualquer coisa que o afaste de Kendrick Lamar e coloque “Damn” para tocar. Aqui, ele dá um passo ao lado em relação ao ultra-experimental “To Pimp a Butterfly” para voltar às raízes.

CD Cry Cry Cry de Wolf Parade

8) “Cry Cry Cry”, de Wolf Parade
Nem só de Arcade Fire vive o rock canadense. O retorno do Wolf Parade encontra os compositores Spencer Krug e Dan Boeckner no topo de suas qualidades, com seu idiossincrático indie psicodélico que poucos conseguem igualar.

CD Lotta Sea Lice Kurt Vile and Courtney Barret9) “Lotta Sea Lice”, Kurt Vile and Courtney Barret
Um disco conjunto destes dois parece o melhor de dois mundos, e de fato o é. Letras sacanas e sagazes, folk chapado, vozes inspiradas. Dueto cheio de catalizações. Valeu a pena “shippar” Kurt e Courtney!

CD Damage and Joy Jesus and Mary Chain

10) “Damage and Joy”, Jesus and Mary Chain
Um disco novo do JMC, a esta altura, soa como um presente dos deuses. “Damage and Joy” pode não ser um “Darklands”, mas ratifica a importância universal da banda, com seu som urgente e letras que ainda conseguem fazer sentido em 2017. Nível Jesus anos 90, e isso não é pouca merda.

CD Melodrama Lorde

11) “Melodrama”, Lorde
O que uma jovem recém-saída da adolescência faz depois de um super hit como “Royals”? No caso de Lorde, não é se render às exigências do mercado. O que ela nos traz aqui é uma obra pop intensa e pessoal sobre pressão, frustrações e fracasso no amor, com confiança, insegurança e ironia nas mesmas medidas.

CD Pure Comedy Father John Misty

12) “Pure Comedy”, Father John Misty
A ambição musical de Father John Misty não tem limites, e em “Pure Comedy” e seus mais de 100 minutos ele chega a passar da conta em alguns momentos, mas isso não diminui a beleza dessa obra sobre frustração com o estrelato.

CD This Old Dog Mac DeMarco

13) “This Old Dog”, Mac DeMarco
Em “This Old Dog” encontramos um DeMarco com enfoque mais pessoal e incrivelmente afiado em seu indie ensolarado e preguiçoso.

CD Colors Beck

14) “Colors”, Beck
Tal qual em “Midnight Vultures”, Beck se volta ao dance em “Colors”, mas, ao invés de focar no soul e nos 70’s, aqui predomina uma oitentera com sintetizadores e várias faixas pra mexer o esqueleto.

CD Big Fish Theory Vince Staples

15) “Big Fish Theory”, Vince Staples
Único rapper capaz de rivalizar com Kendrick Lamar em 2017 em termos de inventividade, Vince Staples é pesado e minimalista em “Big Fish Theory”, nas letras e nas batidas. Um êxito em ambos os sentidos.

CD Masseduction St Vincent

16) “Masseduction”, St. Vincent
Amor e sexo permeiam “Masseduction”, em que encontramos St. Vincent alçando voos ainda mais experimentais dentro de seu amálgama de pop e folk sintético.

CD Last Place Grandaddy

17) “Last Place”, Grandaddy
“Last Place” entrega o que promete: um Grandaddy restaurado, com o integral DNA da banda, e tudo acaba parecendo um agridoce reencontro com um velho amigo.

CD The World's Best American Band White Reaper

18) “The World’s Best American Band”, White Reaper
Com doses generosas de power pop, glam e setentismo em geral, o White Reaper lançou um dos discos mais afetados (e divertidos) para estes tempos sombrios.

CD Painted Ruins Grizzly Bear

19) “Painted Ruins”, Grizzly Bear
“Painted Ruins” é o final perfeito para a trilogia iniciada com os badalados “Veckatimest” e “Shields”. Se tem menos hits — se é que isso existe para o Grizzly Bear — que os álbuns anteriores, este tem força do começo ao fim. Não deve ser menosprezado.

CD Guppy Charly Bliss

20) “Guppy”, Charly Bliss
O Charly Bliss é exemplo da tendência de certas bandas de rock dos anos 10 em se voltar à pureza e despretensão do college rock dos 90’s. Muito Weezer e Breeders por aqui, com faixas bubblegum cantaroláveis como se nem existisse internet.

( * ) Marcondes & Co. é um sebo virtual de vinis, CDs e livros tocado pelos irmãos Ciro, Gustavo e João Marcondes. Raridades do jazz, rock, blues e MPB são forte dos caras, que podem ser achados na página deles no Facebook e em eventos como PicNik, Feira de Vinil do Conic e feirinhas alternativas.

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