“Cuba e o Cameraman”: humana revolução

“Cuba e o Cameraman”, documentário que acaba de estrear na Netflix, é uma reportagem produzida ao longo de 40 anos pelo videojornalista free lancer americano Jon Alpert. Pode-se dizer que é a obra de uma vida, ou melhor, de várias vidas.

Quatro décadas foi o que Alpert precisou para montar uma verdadeira lição de jornalismo, e de jornalismo humanista. Se bem que, é fato, raríssimos terão a chance de construir uma reportagem ao longo de quatro décadas como ele.

Assim como raríssimo foi o privilégio que ele teve de, como jornalista independente, estabelecer uma relação tão íntima com Cuba desde os primórdios da revolução. Nas muitas idas ao país, filmou em Betacam, Video8, Hi8, DVCam, MiniDV e XAVC.

Criou o que ele chama de “museu completo da evolução da captação de imagem eletrônica”. Mas, mais importante que a tecnologia, foi o objeto que ele escolheu para focar, a vida dos cubanos durante esse tempo.

Jon Alpert conquistou a simpatia de Fidel Castro e foi o único profissional americano a bordo do avião em uma das idas do general a Nova York, para discursar na ONU, nos anos 1970. Só se reencontraram no aniversário de 90 anos do líder cubano.

A falta de acesso a Fidel não impediu, no entanto, que ele acompanhasse as mudanças que o regime comunista impôs ao povo de Cuba. Alpert escolheu personagens e os visitou por anos seguidos, mostrando as transformações de cada um.

Cuba e o Cameraman
Jon Alpert em queda de braço coma irmã Borrego: quem vence é o tempo

Esses personagens são os irmãos Borrego — Gregorio, Cristóbal e Angel — que vivem de trabalhar sua pequena terra na zona rural; a menina Caridad, que depois se torna a mãe de Wilder; e Luis Amores, um homem da cidade que se vira como pode para sobreviver.

Jon Alpert faz um retrato o mais imparcial possível, mostrando desde a euforia dos primeiros anos do país sob comando de Fidel até os momentos difíceis trazidos pelo fim do bloco de países comunistas.

Mas o mais comovente é que “Cuba e o Camerman” deixa evidente: muito antes de governos, partidos e ideologias, estão o bem-estar, a felicidade e os sonhos humanos.

A história dos irmãos Borrego, por exemplo, é particularmente tocante. E o que o bloqueio econômico tem a ver com a vaquinha utilizada no roçado pelos velhinhos cubanos? Só assistindo pra ver.

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