Conheça Sandra Izsadore, a rainha mãe do afrobeat

A cantora americana Sandra Izsadore se apresenta em Brasília no próximo dia 24 de novembro. Será atração principal do Latinidades — Festival da Mulher Afro Latina Americana e Caribenha, que promove um segundo tempo de sua edição 2017.

A uma maioria, seu nome pode não dizer muito, mas tem enorme significado para os interessados na história da música e do movimento negros. Não por acaso, a também atriz e ativista é chamada de “rainha mãe do afrobeat”.

Reprodução“Graças a ela Fela Kuti criou o afrobeat. Sandra o introduziu na filosofía dos Panteras Negras e de Malcolm X durante uma visita dele a Los Angeles”, explica o DJ Floro, espanhol, produtor do álbum “Republicafrobeat Vol. 4: Mujeres”.

Floro destaca Sandra e a africana Oumou Sangaré como as artistas mais importantes incluídas na coletânea, lançada este ano pela Kasba Music (uma curiosidade: o disco traz, inclusive, a brasileira Anelis Assumpção).

Nascida em Los Angeles, filha de pais protestantes, Sandra começou a cantar na igreja e a estudar piano. Mas acabou se formando em Ciências da Computação pela Universidade de Los Angeles.

Foi no ambiente acadêmico, em cursos de antropologia, que se aprofundou nas questões políticas e raciais. A curiosidade a levou a descobrir que os bisavôs foram escravos. A bisavó tinha sido vendida ainda criança, na Jamaica, a fazendeiros do Arkansas.

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Essa tomada de consciência da própria identidade a levou a se aproximar do movimento negro e a se filiar ao Partido dos Panteras Negras. Ela ainda se chamava Sandra Smith quando conheceu o cantor e compositor nigeriano Fela Kuti (1938-1997) — os dois na foto ao lado.

Na virada das décadas de 1960/1970, Fela Kuti, que havia iniciado carreira na Inglaterra e retornado ao seu país, deixou a Nigéria, em plena Guerra Civil, e foi para os Estados Unidos.

Lá conheceu Sandra, que se tornou sua namorada, lhe presenteou com um exemplar da autobiografia de Malcolm X e o apresentou a Eldridge Cleaver e a outros ativistas e pensadores negros.

A influência de Sandra sobre Fela Kuti é reconhecida, inclusive, pelo biógrafo do artista, Carlos Moore — autor de “Fela, Esta vida Puta”. O contato com a americana deu ao nigeriano a consciência de sua negritude.

E essa consciência levou Fela Kuti a criar o próprio estilo musical, o afrobeat, uma mistura de jazz americano, rock psicodélico e highlife (da África Ocidental). Sandra participou dessa revolução também fazendo vocais nos discos do namorado.

Foi o reencontro dela com a música. Hoje, mesmo sem ter uma discografia própria, em qualquer lugar do mundo, quando se fala em afrobeat, é impossível não contar com a voz de Sandra Izsadore.

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