Mateus Gandara em mostra retrospectiva

A mostra “Traço Suspenso – Desenhos de Mateus Gandara” será inaugurada na noite desta sexta-feira (3/11), no Museu Nacional, em Brasília, e fica em cartaz até 3 de dezembro.

Para o público, é a chance de conhecer o trabalho de um artista peculiar, que viveu pouco, mas conseguiu produzir de forma intensa no seu curto tempo. A ponto de merecer uma retrospectiva como essa, com 110 obras.

O quadrinista goiano Mateus Gandara morreu em 2015, aos 28 anos, em consequência de um linfoma. Vivia em Brasília desde 1996. Estudou artes plásticas na Universidade de Brasília (UnB) e criou o selo independente Vudu Comix, em 2013 — confira o Facebook e a loja on-line.

Inaugurando o Vudu, lançou a publicação “Flagelos Noturnos” e os zines “Bizonho” e “Canis Liber”. No ano seguinte, saiu “Mondo Colosso”. A última obra, “D.E.E.P. (Diário Erótico Estético Pornográfico)”, teve lançamento póstumo, em agosto deste ano.

“Sua obra é típica de um sujeito curioso, aberto a pesquisas que possibilitassem abarcar diferentes materiais e assuntos” (Renata Azambuja, curadora)

A criatividade de Mateus Gandara, porém, não se restringia aos quadrinhos. “Mesmo tendo nos deixado tão jovem, manteve uma produção de desenhos prolífica e diversificada”, afirma a professora e arte-historiadora e Renata Azambuja.

Renata foi professora de Mateus na UnB e assume a função de curadora em “Traço Suspenso”, uma exposição que se concretizou por meio da mobilização de familiares, amigos, mestres e professores.

“Seu interesse profundo pela figura humana o conduziu a realizar exercícios em que o ser humano surge como parte dos mais variados contextos” (Renata Azambuja, curadora)

O acervo à mostra reúne estudos de personagens, desenhos originais para HQs, zines, publicações, cadernos pessoais. A obra mais recente, “D.E.E.P. (Diário Erótico Estético Pornográfico), terá sala exclusiva na exposição.

gandara_convite4Nela, Mateus se dedica a mostrar como diferentes pessoas lidam com o amor e a sexualidade. A partir da observação de momentos íntimos e relações sexuais entre casais, ele elaborou emaranhados entre erotismo e afeto, unindo ilustrações e anotações.

“D.E.E.P.” sintetiza, de certa forma, o interesse do jovem artista por temas existenciais. Interesse explicitado em seus inúmeros cadernos, nos quais ele escrevia diários visuais a partir do que observava ao seu redor. Esse olhar do artista estará condensado nas 110 obras que poderão ser visitadas no Museu Nacional nos próximos 30 dias — terça a domingo, das 9h às 18h30.

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