“Não Tá Tudo Bem”: Ops é duro sem perder a ternura

Diego Bressani/Divulgação

A humanidade não vive seus melhores dias, o Brasil tampouco. Pois o DJ brasiliense Ops resolveu pegar o limão azedo que tem sido a vida no planeta e fazer dele uma limonada. Ou melhor, um ótimo disco.

No título, a constatação: “Não Tá Tudo Bem”. E a partir daí cada letra é uma pedrada no conformismo, na indiferença que marca as relações humanas, na fé que provoca o ódio.

“Não quero falar sobre a política brasileira, mas sobre uma nova forma de olhar o mundo. Discutir o fato de 1% da população, controlar 99% dos recursos da Terra” (DJ Ops)

Só que ele canta o azedume sem perder a ternura. Musicalmente, “Não Tá Tudo Bem” é leve e dançante. Em contraponto aos discursos furiosos das redes sociais, Ops diz o que tem que ser dito recorrendo ao bom senso (e ao bom gosto) e não ao grito.

É incisivo em faixas como “O Seu Remédio” (“Você só segue o ritmo e o que o Bonner diz/Que desperdício de cérebro”), “A Sua Culpa” (Tem alguém com fome, tem alguém com frio/ Mas não é sua culpa, né?”) e “Não Tá Tudo Bem” (“Tanta gente todo dia chamando por Deus/ Onde anda esse Deus?”).

“Penso na minha função como artista e me sinto bem (…) Não posso me calar. Um dos personagens mais asquerosos que já ouvi discursar é, hoje, um presidenciável (…), a internet deu voz aos haters. Há que se lidar com isso” (Ops)

Mas ele dá uma brecha para o amor — que ninguém é de ferro — na “fofa” “Olha a Sorte que Eu Dei” e aponta para a esperança em “A Nossa Arma”, uma celebração à música, à dança e ao direito de todo mundo de ser feliz.

CAPA OPS - NAO TA TUDO BEMA mistura de ritmos ouvida no álbum reflete sua cultura de DJ — um dos criadores do Coletivo Criolina, . Zouk, kizomba, ragga, reggaeton misturam-se ao indie rock dos anos 1980 e 1990, por exemplo.

Ah, é bom ficar de olho porque todas as faixas do álbum ganharam clipes. Três já estão no canal do artista no YouTube. Os outros também serão lançados por lá.

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