Gênero capa e espada invade novelas das sete

Desde julho, a Record exibe no horário das sete “Belaventura”, uma trama de capa e espada centrada no romance proibido entre o Príncipe Enrico (Bernardo Velasco) e a camponesa Pietra (Rayanne Morais).

Duques, condes, reis e conselheiros maquiavélicos passeiam pela história, criada por Gustavo Reiz e ambientada no início do século 15, o último da chamada Idade Média.

Sem temer acusações de seguir trilha já pisada, a Globo anuncia para o mesmo horário “Deus Salve o Rei”, do autor estreante Daniel Adjafre. A trama vai substituir a atual “Pega Pega” com clima semelhante ao da produção da concorrente.

Com direito, inclusive, a romance proibido entre príncipe e plebeia. No caso, o herdeiro do trono Afonso (Rômulo Estrela) e a bela e pobre Amália (Marina Ruy Barbosa). Ele até abre mão da coroa por causa do amor.

O irmão de Afonso, Rodolfo (Johnny Massaro), também não está interessado em assumir coisa nenhuma. Por isso, quando a rainha Crisélia (Rosamaria Murtinho) morre, esse desinteresse se torna uma ameaça à paz entre os reinos Montemor e Artena.

“É uma história que tem já, na essência, um elemento muito dramático e muito cômico entre esses dois príncipes, irmãos: um com medo de ser rei e outro abdicando ao trono por amor a uma plebeia”,  (Daniel Adjafre, autor).

Para o público da Record, “Belaventura” é um refresco para a overdose de tramas bíblicas. Na Globo, a escolha não é inédita. Em 1989, a emissora alcançou enorme sucesso com “Que Rei Sou Eu?”, mirabolante folhetim de capa, espada e muito humor.

Mas a volta ao medievo, quase 30 anos depois, não parece ser mera casualidade. Como se sabe, as telenovelas têm feito esforço para se reinventarem e manter a audiência, numa época de forte concorrência com as séries transmitidas em streaming e por canais pagos.

“Deus Salve o Rei”, portanto, é uma dessas cartadas para sair da mesmice — as tramas modernas têm se tornado tão repetitivas que não raro são esquecidas assim que saem do ar, ou sequer notadas enquanto estão em exibição.

As duas novelas também também pegam carona no clima “Game of Thrones”, uma das mais bem-sucedidas experiências da história no que diz respeito à narrativa televisiva em episódios, com seus reis, principes, castelos e disputas pelo poder.

Observando que “Game of Thrones” se passa em época não definida. Mero detalhe. Em tempos tão bicudos, o público parece interessado em viajar no tempo, e de preferência para bem longe.

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