Tetê canta muitos lugares em “Outro Lugar”

“E bem daqui no centro do planalto/ Eu sinto uma solidão gritando alto…”

O verso de “Andorinha”, música que abre “Outro Lugar”, novo disco de Tetê Espíndola, não por acaso lembra um certo discurso histórico de Juscelino Kubitscheck. Foi composta pela própria Tetê em 1985, numa passagem por Brasília, “vendo um por do sol num momento de solidão”, ela conta.

Canções criadas em São Paulo, Campo Grande, Bonito, Rondonópolis, Campos do Jordão e Paris também fazem parte desse disco delicado, inspirado e inspirador, o 18º da cantora e compositora.

Mas o “outro lugar” de que fala Tetê Espíndola são muitos e não necessariamente geográficos. Eles podem estar no tempo, num estado de alma, nas nuances escolhidas para cada uma das 12 canções do disco — todas inéditas.

“Outro Lugar” nos leva a diferentes paragens, nos distancia do caos e da estranheza destes dias que vivemos. Em parceria com Adriano Magno e Sandro Moreno, coprodutores, Tetê criou um disco que exige atenção e contemplação, coisas a que nos desabituamos.

“Cada um de nós tem que encontrar um lugar ou lugares dentro da gente mesmo, pode ser na loucura da cidade ou no meio da natureza. É a sina de todo ser humano, encontrar o seu lugar e a paz interior” (Tetê Espíndola)

Sonhos, nuvens, cachoeiras, aconchego, beijo, felicidade, flor… As palavras que pontuam os versos cantados em “Outro Lugar” parecem se materializar na sonoridade alcançada no disco, parecem se transformar em algo palpável.

ReproduçãoPara realizar essa viagem sonora “que toca, transcende”, a artista revirou guardados, memórias e afetos e chegou a composições que fez com parceiros como Marta Catunda, Bené Fonteles e Arrigo Barnabé em diferentes épocas.

“Itaverá” (Geraldo Espíndola), por exemplo, estava guardada desde 1974. “Luz e Anzol” é um poema escrito por Arrigo em 1979, que ela musicou em 2015. “Anjo Só”, parceria com Luiza Gimenez, é de 1996. Há sim, também, material de anos recentes.

Mas essa questão temporal não existe em “Outro Lugar”. As faixas se sucedem como se tivessem sido criadas desde sempre para estar ali, naquela sequência, compondo o belo quadro sonoro pintado pela craviola e pela voz de timbre inconfundível de Tetê.

Você ouvir “Outro Lugar” em plataformas como Spotify e Deezer.

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