Cena Contemporânea: o teatro político e urgente

Janosch Abel/Divulgação

A 18ª edição do Cena Contemporânea começa nesta terça-feira (22/8) e segue até 3 de setembro, em diversos espaços do Distrito Federal. Chama a atenção na seleção de espetáculos deste ano a frequência de temas contundentes, incômodos e urgentes.

No delicado e doloroso momento que o Brasil atravessa, o evento internacional realizado em Brasília desde 1995, claramente, faz sua parte. Ao longo de 13 dias, o palco se transforma em tribuna para um discurso que vai muito além da palavra.

O preconceito racial, a tirania, a liberdade, a violência, o terrostimo e o conflito entre religiosidade e sexualidade são alguns dos assuntos pontuados em espetáculos do Brasil (DF, SP, BA e MG), França, Espanha, África do Sul e Colômbia.

A partir desse critério, eis cinco destaques da extensa programação e por que vê-los:

Janosch Abel/Divulgação

Black Off
Companhia Manaka Emopowerment Producions, da África do Sul
Por que é uma peça sobre preconceito racial, vinda da África do Sul, o que implica numa visão muito especial sobre o assunto, considerado o histórico daquele país. No centro da cena está a atriz, cantora e performer Ntando Cele.

Mateo Pérez Fraile

Barro Rojo
Daniela Molina, Javier Liñera Peñas e Linda Wise, da Espanha
Porque o espetáculo volta ao passado (mais precisamente à ditadura de Franco, na Espanha, e à Alemanha nazista) para falar de um risco presente. O protagonista revê a história do tio, levado a um campo de concentração e depois a uma prisão por ser gay.

Ligia Jardim/Divulgação

O Evangelo Segundo Jesus, Rainha do Céu
Natalia Mallo, de São Paulo
Porque o confronto entre religiosidade e sexualidade tem aberto em nossa sociedade chagas que só o diálogo e a tolerância podem curar. O texto de Jo Clifford, trans e cristão, traz Jesus Cristo aos dias de hoje, na pele de uma travesti.

Divulgação

Duas Gotas de Lágrimas num Frasco de Perfume
Criaturas Alaranjadas Cia de Teatro, do DF
Porque as sequelas da ditadura militar no Brasil poucas vezes foram tratadas de forma tão poética e emocionante como nestes espetáculo, escrito e dirigido por Sérgio Maggio, e com interpretações tocantes de um quarteto de ótimas atrizes. O tema volta em outro espetáculo do Cena, Guerrilheiras ou Para a Terra Não Há Desaparecidos.

 Nil Caniné

A Paz Perpétua
Aderbal Freire-Filho, de São Paulo
Não só porque Freire-Filho é um dos mais importantes encenadores brasileiros, mas porque a peça traz à discussão temas como autoridade, política, violência e terrorismo. Alguma dúvida sobre as consequências políticas e morais disso tudo nas democracias de hoje?

Com coordenação geral de Michele Milani e curadoria de Alaôr Rosa, o 18º Cena Contemporânea tem ainda uma programação de atividades formativas, mesas-redondas, shows musicais, e pode ser conferida por completo no site oficial do evento.

Os ingressos estão à venda no site Eventim, pelo telefone 4003-6860, na Fnac (ParkShopping), na Caixa Cultural (SBS) e na Central de Ingressos do ParkShopping, a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) para o Plano Piloto e gratuito nas regiões administrativas.

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