“L, O Musical”: MPB, desejo, afeto e poder feminino

Diego Bresani/Divulgação

No próximo dia 10 de agosto, “L, O Musical” inaugura no CCBB Brasília a primeira de quatro temporadas que cumprirá até abril de 2018 em quatro capitais brasileiras. Concebido e dirigido por Sérgio Maggio, o espetáculo passa depois pelos CCBBs de Rio, São Paulo e Belo Horizonte.

Maggio, que na linguagem do musical já explorou as canções de Odair José (“Eu Vou Tirar Você Desse Lugar”) e o forró (“O Fole Roncou”), agora cria uma história inspirada por músicas de cantoras e compositoras da chamada MPB.

“No momento em que vivemos falar de afetos, sem que haja temor, é um ato revolucionário. É mesmo possível e preciso amar sem temer” (Luiza Guimarães)

O recorte: essas cantoras e autoras são homossexuais ou se tornaram ícones da cultura LGBT nacional. Nessa seleção, entram nomes como Maria Bethânia, Ana Carolina, Adriana Calcanhotto, Araci de Almeida, Angela Ro Ro e Ellen Oléria.

Ellen, aliás, integra o elenco de seis atrizes que, acompanhadas por uma banda de quatro instrumentistas (também mulheres), se revezam em 14 personagens. Elisa Lucinda, Renata Celidonio, Gabriela Correa, Luiza Guimarães e Tainá Baldez completam o time.

Diego Bresani/Divulgação

Timaço, aliás. A ficha técnica de “L, O Musical” reúne alguns profissionais dos mais requisitados na produção de musicais no eixo Rio-São Paulo. Como a figurinista Carol Lobato (“Kiss me Kate”) e o diretor musical Luis Filipe de Lima (“Sassaricando”).

Tem também a direção de movimento da atriz, bailarina e coreógrafa baiana Ana Paula Bouzas (da CTM – Cia Teatral do Movimento) e a upervisão de dramaturgia da premiada Daniela Pereira Carvalho (“Renato Russo – O Musical” e ” Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária”).

“Esse espetáculo homenageia o amor acima de tudo, que vence preconceitos e padronizações que querem nos definir e aprisionar. É esse o lugar que queremos chegar com nossas vozes” (Gabriela Correa)

Com apoio dessa equipe, Sérgio Maggio ergue uma narrativa em torno de personagens lésbicas para tratar de temas como liberdade individual, desejo, afeto e feminismo. Uma autora de novelas e uma veterana atriz de teatro, ex-companheiras, estão no centro da história.

O autor aponto como referência afetiva na criação de “L, O Musical” (que teve intensa participação das atrizes) o clássico texto “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, de Rainer Werner Fassbinder, que teve montagem histórica no Brasil, em 1982, com Fernanda Montenegro.

“Que maravilha é falar de amor e estar rodeada de mulheres incríveis. Um privilégio em tempos atuais, não é?” (Renata Celidonio)

“É a primeira peça que vejo, depois de ‘Petra Von Kant’, cujo protagonismo é o amor entre mulheres”, ressalta Elisa Lucinda, intérprete da autora de novelas Ester. Para ela, colocar personagens lésbicos em cena é simultaneamente um avanço e um atraso.

“Avanço porque já fomos muito pior há 20 anos com esse tema. Atraso porque mostra que infelizmente a realidade está muito mais adiantada que a ficção, que deveria ser vanguarda. Tenho 30 anos de carreira e é minha primeira personagem lésbica”, diz.

Os ingressos para a temporada brasiliense estão à venda na bilheteria do CCBB Brasília e no site Up Ingressos.

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