“Kiki – Os Segredos do Desejo”: sexo sem pudor

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A comédia espanhola “Kiki – Os Segredos do Desejo” — que passou recentemente pelo circuito alternativo de cinemas e já está disponível na Netflix — tem um quê dos primeiros filmes de Pedro Almodóvar.

Isso pela forma despudorada e natural com que os personagens falam de detalhes do sexo sobre os quais as pessoas, normalmente, não têm coragem de falar abertamente.

Tem também alguma coisa de pornochanchada brasileira dos anos 1970, pelo jeito sacana, descomprometido e divertido com que trata o sexo. E ainda pelo formato de filme de episódios.

É o terceiro longa dirigido por Paco León, ator de filmes como “Rainhas” (2005) e “Dieta Mediterrânea” (2009). Com essas e outras tantas comédias no currículo de atuação, León parece ter aprendido muito com os diretores com quem trabalhou.

Em “Kiki”, ele conduz com segurança o entrelaçamento de quatro histórias — de três casais e de uma mulher solteira –, que têm em comum os problemas da vida sexual. E ainda aparece como ator em uma delas.

Há a mulher que descobre ter tesão ao ver o marido chorar; o homem que deseja a mulher enquanto ela dorme, a outra que tem orgasmos ao ser assaltada… Nada disso, porém, parece bizarro.

A naturalidade de algumas situações inicialmente absurdas e a franqueza que pontua os diálogos é que tornam a comédia eficiente. São muitos os momentos hilários quando poderiam ser constrangedores.

Num desses, o casal resolve ir a um clube de sexo para tentar melhorar o desempenho sexual. No momento em que o marido vai ao banheiro, encontra um conhecido com quem jogou futebol. Papo vai, papo vem, o outro pede: “Você poderia urinar em mim?”

Em tempos de tanta má notícia e caretice, “Kiki – Os Segredos do Desejo” funciona como santo remédio. Sem pretender fazer tratado, mostra que a sexualidade não é o bicho de sete cabeças que se imagina… Fala de coisa séria provocando gargalhadas.

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