7 clássicos com reedições recentes, e por que lê-los

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Há autores e gêneros literários que vêm e passam. Sobre todos os modismos, algumas obras pairam absolutas porque, em essência, são atemporais, tratam de questões do ser humano que independem de época.

Por isso mesmo, vez por outra reaparecem nas pratalerias em novas e caprichadas reedições. É o caso destes sete romances que já passaram por diferentes gerações, algumas viraram filmes, mas continuam fascinando novos e velhos leitores.

O Leopardo“O Leopardo”
De Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Companhia das Letras, 384 págs., R$ 64,90) 
Por meio da história de Dom Fabrizio Salina e de sua decadente família siciliana, Lampedusa (1896-1957) recria a vida e a política da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II e o processo de unificação que resultou na criação do Reino de Itália, em 1870. A adaptação para o cinema, pelo cineasta Luchino Visconti (1906-1976), tornou-se um clássico. Esta edição tem tradução e posfácio de Maurício Santana Dias e apêndice do musicólogo italiano Gioacchino Lanza Tomasi.

“O romance é magistralmente traduzido por Maurício Santana Dias com base na versão definitiva do livro (conforme explicado em seu posfácio e no apêndice de Lanza)” (Folha de S. Paulo)

Capa Cem Anos de Solidao“Cem Anos de Solidão”
De Gabriel García Marquez, Record, 432 págs., R$ 79,90
Este é provavelmente o mais popular romance do escritor colombiano (1927-2014). De fato, a história fantástica que atravessa várias gerações da família Buendía, na fictícia cidade de Macondo, é capaz de encantar leitores de diferentes gostos. Esta edição é comemorativa aos 50 anos de lançamento da primeira publicação da obra-prima. Tem capa dura com caprichado criação gráfica e tradução de Eric Nepomuceno 

“A grandeza da literatura de García Márquez se revela exatamente neste ponto: utilizar seu micromundo para construir uma obra verdadeiramente universal, contada por meio de coisas surreais” (Revista Bula)

Anna Karenina“Anna Karenina”
De Liev Tolstoi, Companhia das Letras, 808 págs., R$ 84,90
Na Rússia dos czares, mulher casada tem caso extraconjugal, vivendo intensos conflitos. Isso é o ponto de partida para Tolstoi (1828-1910) construir uma trama em que reflete sobre religião, família, política e classes sociais, e desfilar personagens profundamente humanos, universais e atemporais. “Anna Karenina” foi publicado originalmente em fascículos entre 1875 e 1877. Esta edição tem tradução do escritor Rubens Figueiredo.

“Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, mas cada família infeliz tem um motivo especial para sentir-se desgraçada” (fala da personagem Anna Karenina)

Clara dos Anjos“Clara dos Anjos”
De Lima Barreto, Autentica Infantil, 176 págs, R$ 29,80)
O fluminense Lima Barreto (1881-1922) é homenageado deste ano na Flip (Feira Literária de Parati) e isso tem sido pretexto para lançamentos sobre ele e reedições de suas obras. “Clara dos Anjos” é uma afiada crônica da vida nos subúrbios cariocas no início do século 20 e, ao mesmo tempo, uma denúncia da discriminação social e racial na sociedade da época. Na história, a humilde Clara se envolve com Cassi Jones, rapaz de família rica, conquistador e sem caráter.

“Dono de uma visão crítica, polêmica e humanista sobre o Brasil, Lima Barreto foi pouco levado a sério ou simplesmente ig­norado por grande parte da chamada elite intelectual da época”(Jornal Opção)

O morro dos ventos uivantes“O Morro dos Ventos Uivantes”
De Emily Bronté, Zahar, 376 págs., R$ 69,90.
A difícil história de amor entre a voluntariosa Catherine Earnshaw e seu irmão adotivo Heathcliff já ganhou várias versões para o cinema, em diferentes épocas. Isso prova a atualidade da obra literária da inglesa Emily Bronté (1818-1848), que nesta luxuosa reedição comentada ganha tradução da escritora Adriana Lisboa, apresentação de Rodrigo Lacerda, cronologia de vida e obra da autora e dois textos escritos por Charlotte Brontë para a reedição do livro que ela organizou após a morte da irmã.

“Emily Bronté foi uma dessas escritoras incivilizadas, que não se saboreia de primeira, e sim que se ama somente mais tarde, já em perspectiva” (El Español)

A Educação Sentimental“A Educação Sentimental”
De Gustave Flaubert, Penguin Companhia, 560 págs., R$ 44,90)
A obra-prima do francês Gustave Flaubert (1821-1880) é ambientada em 1840 e gira em torno do jovem Frédéric Moreau, que chega a Paris cheio de expectativas. Na capital francesa, ele encara o amor e uma época de profundas turbulências políticas. Rosa Freire D’Aguiar é a tradutora desta edição, que tem ainda um prefácio inédito de Maria Rita Kehl e um texto do escritor Marcel Proust em que ele tece considerações sobre o romance e o estilo de seu compatriota.

“Quem era o prefeito de Paris no tempo de Flaubert? Nem os franceses sabem. Mas quem não sabe que Flaubert é autor de dois romances magistrais, ‘Madame Bovary’ e ‘A Educação Sentimental’ (Jornal Opção)

Dona Flor e Seus dois Maridos“Dona Flor e Seus Dois Maridos”
De Jorge Amado, Companhia das Letras, 488 págs., R$ 64,90
Todo brasileiro deveria ler pelo menos um livro de Jorge Amado (1912-2001). Poucos conseguiram como ele unir humor, tragédia, sacro e erótico, numa escrita carregada de brasilidade, de qualidade literária e apelo popular. “Dona Flor” (sucesso nos cinemas pelas mãos de Bruno Barreto) é prova disso. Impossível não se encantar com a história da viúva do boêmio Vadinho, que se casa com o metódico Teodoro, mas não consegue se livrar do libidinoso marido morto.

“Todos os personagens interagem de forma tão uniforme e inconstante que é até complicado parar para analisar como Jorge Amado conseguiu tal proeza, esta obra é simplesmente única” (Ponto Para Ler)

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