…e o albino Hermeto enxerga mesmo muito bem

Gabriel Quintas/Divulgação

No palco, Hermeto Pascoal se torna uma criança e faz a plateia voltar à infância com a forma lúdica como produz sua música. Cada instrumento vira um brinquedo, do qual é possível tirar uma infinidade de sons, e cada som é uma descoberta, um encantamento novo.

A mesma leveza pode ser sentida em sua fala, na forma de expressar opiniões sobre os assuntos mais diversos. Como aconteceu no bate-papo que teve que os jornalistas Jotabê Medeiros e Pedro Alexandre Sanches, para o blog Farofafá, da Carta Capital.

“Não adianta, ninguém tirou e ninguém tira a minha maneira, o meu ser, o meu amar que eu quero. Eu não premedito, eu sinto, quando vem, aquela coisa vem. E outra coisa, sou 100% intuitivo. Não é qualquer coisa, não, é 100% intuitivo” (Hermeto Pascoal)

Mais que uma entrevista convencional, é uma conversa longa e descontraída, cheia de histórias e pontos de vista que revelam um pouco mais desse que é um dos mais geniais músicos brasileiros. Leitura valiosíssima.

Entre outras coisas, Hermeto fala de suas experiências com Miles Davis, Fagner (com quem fez o antológico e experimental disco “Orós”), com Belchior, fala de Deus, do desprezo da bossa pelo forró, de quando descobriu Gilberto Gil na plateia de um show seu em Brasília…

Caetano Veloso cantou em “O Estrangeiro” que “o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem”…. Isso é relativo. Hermeto Paschoal enxerga o mundo muitíssimo bem. Com o coração, com uma sensibilidade incomum e uma mente criativa privilegiada.

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