“Presos no Paraíso”: o céu fica bem perto do inferno

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O caminho entre o inferno e o paraíso é mais curto do que supõe a nossa vã filosofia. Na verdade, muitas vezes um e outro podem ocupar o mesmo lugar, restando aos humanos o desafio de discerni-los.

Isto fica bem claro ao longo da leitura de “Presos no Paraíso”, primeiro livro de ficção do jornalista e escritor paraibano-brasiliense Carlos Marcelo, lançado pelo selo Tusquets, da editora Planeta de Livros (288 págs, R$ 39,90).

As dualidades, aliás, alimentam toda a trama. O autor apaga as linhas que distinguem antigo e novo, passado e presente, prisão e liberdade, culpa e inocência, bom e mau, mistura tudo e entrega mais que um romance policial baseado na fórmula clássica de crime + investigação + solução.

“Presos no Paraíso” é ambientado na ilha de Fernando de Noronha, para muitos, um paraíso em terra. Lá, um crime aproxima o historiador Tobias — que vai ao lugar para pesquisar roteiros para uma empresa de turismo — e o delegado local, Nelsão.

Mas, antes de entrar na trama policial propriamente dita, o romance — quase todo contaminado pela melancolia de Tobias — vai e vem no tempo, desvenda aos poucos o passado dos personagens, o passado da ilha e aspectos do lugar que passam despercebidos pelos milhares de turistas que visitam Noronha.

Outro aspecto interessante de “Presos no Paraíso” é como Carlos Marcelo consegue conectá-lo com seus livros anteriores — dois livros-reportagem sobre música, “Renato Russo, o Filho da Revolução” e “O Fole Roncou — Uma História do Forró”.

O gosto pela pesquisa (que revela um monte de detalhes pouco conhecidos sobre a ilha) e pela música (muitas referências musicais pontuam a história) aparecem de forma natural na narrativa e ajudam a dar à obra a personalidade que a distingue dentro do gênero policial.

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Ouça: no Spotify, Carlos Marcelo criou uma playlist inspirada no gosto musical dos protagonistas do livro

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