“Fala Comigo”: sexo, família e moral sob novo olhar

Divulgação

Vencedor do Teddy no Festival de Berlim com o provocativo curta “Tá” (o prêmio é dado a filmes de temática LGBT), o brasileiro Felipe Sholl estreia na direção de longa-metragem com uma obra igualmente instigante.

“Fala Comigo”, atualmente em cartaz, tem seu foco no relacionamento entre uma mulher madura e um jovem mal saído da adolescência. Nas mãos do cineasta, essa situação rende muito mais do que conflitos de folhetim.

Diogo (Tom Karabachian) rouba a agenda da mãe psicóloga e liga para as pacientes dela, sem falar nada. Quer apenas ouvi-las e se masturbar. Uma delas, Angela (Karine Telles, a patroa de “Que Horas Ela Volta?”), descobre o hábito do rapaz e acaba se aproximando dele.

A relação vai fazer com que Angela esqueça as amarguras de um casamento recém-desfeito e Diogo, que só conhecia o prazer das masturbações telefônicas, descubra o sexo pleno.

Mas outros personagens entram nessa história, como Clarice (Denise Fraga) e Marcos (Emílio de Melo), os pais do garoto, e Guilherme (Daniel Rangel), um amigo de escola de Diogo, que, sem saber, é apaixonado por ele.

Desde o princípio, “Fala Comigo” desvia do previsível e monta uma trama complexa, em que sobressai a capacidade do diretor e também roteirista de construir personagens profundamente humanos e livres de estereótipos.

Da forma como a trama é conduzida, fica difícil ao espectador tomar partidos ou fazer julgamentos morais. Temas como sexo, família e regras de conduta social ganham nova perspectiva na abordagem de Felipe Sholl. Não por acaso, “Fala Comigo” foi premiado como melhor longa no Festival do Rio.

Veja: o curta “Tá” está disponível no YouTube:

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