Amós Oz: “As redes sociais espalham simplificações”

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O escritor israelenese Amós Oz está no Brasil para participar do ciclo de conferências “Fronteiras do Pensamento“, em São Paulo (onde deu palestra na segunda, 26/6) e em Porto Alegre (onde fala nesta quarta, 28/6).

Em entrevista a O Globo, o também ativista político falou sobre dois temas atuais que suscitam preocupação: o extremismo político e a forma como a imprensa tem cedido à indústria do entretenimento, tornando-se uma extensão dela.

“(O extremismo) acontece porque as questões estão se tornando cada vez mais complexas. Com isso, muitas pessoas buscam respostas simples, de uma sentença, que cubram amplamente tudo o que se está perguntando. E são sempre os extremistas, os fanáticos e os radicais que têm as respostas mais simples”

Para Amós Oz, o entretenimento tem impregnado não só a mídia, mas também a política. Os eleitores, ele afirma, hoje querem os políticos para entretê-los não para resolver os seus problemas. O que justificaria a presença de figuras como Tiririca e o próprio Jair Bolsonaro nos parlamentos

“A imprensa e a mídia estão se tornando uma extensão da indústria do entretenimento. As pessoas leem os jornais, não para ponderar ou estudar ou ampliar seus horizontes, querem diversão ou escândalo ou sensacionalismo”

O escritor também deu entrevista para o Zero Hora, reproduzida no site oficial do Fronteiras do Pensamento, mais centrada na sua obra e nos conflitos entre seu país, Israel, e os palestinos.

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