Alcina faz disco porrada com canções de Caetano

A personalidade efusiva e a voz singular de Maria Alcina fizeram com que, por muito tempo, as gravadoras limitassem a cantora às alegres marchinhas e canções maliciosas. Na maturidade, porém, Alcina tem tido a chance de rever esse rótulo.

capa_alcinaIsso graças a produtores como Mauricio Bussab e Thiago Marques Luiz. Mauricio, do grupo eletronico Bojo, foi responsável pelo ousado e sensacional “Confete e Serpentina” (2010), até hoje o melhor disco da intérprete.

Thiago realizou com ela o eclético, porém mediano, “De Normal (Bastam os Outros)” (2014), e o recém-lançado “Espírito de Tudo”. No novo disco, Maria Alcina interpreta 10 músicas de Caetano Veloso.

A extensa obra do compositor baiano fornece muitas possibilidades de recorte. Thiago e Alcina escolheram sublinhar o aspecto rock’n’roll de Caetano. O resultado é um disco porrada, uma surpresa tão boa quanto “Confete e Serpentina”.

Amparada por uma banda enxuta e de vigor impressionante — Rovilson Pascoal (guitarras), Ricardo Prado (teclados e baixo) e Arthur Kunz (bateria e programações) –, a cantora sai da zona de conforto e arrasa em faixas como “Rock’n’Raul”, “Rocks”, “Os Mais Doces dos Bárbaros” e “Fora de Ordem”.

Encara com esforço canções mais difíceis, e menos adequadas a sua voz, como “Estrangeiro” e “A Voz do Morto”, mas nada compromete o todo. “Espírito de Tudo” é um belo manifesto rock’n’roll tropicalista que mostra quão atuais são as canções de Caetano e a figura de Maria Alcina.

Anúncios