O que Gilberto Freyre tem a ver com pitangas?

O pernambucano Gilberto Freyre (1900-1987), autor do clássico “Casa Grande e Senzala”, era também homem dedicado à boa mesa. Essa relação do escritor com a cozinha rendeu até um livro organizado pelo pesquisador baiano Raul Lody, “A Mesa com Gilbeto Freyre” (Editora Senac), com receitas que costumavam sair da cozinha da casa de Freire em Apipucos, subúrbio de Recife.

Mas uma das histórias mais curiosas em torno do escritor e do comer e beber é a do conhaque de pitanga que ele criou. Em texto de apresentação para o livro de Lody, o filho de Freyre, Fernando de Mello Freyre (1943-2005), contou que Apipucos tinha muitos pés de pitangas (entre outras frutas) e o pai adorava descobrir formas de usá-las.

Assim chegou à receita do tal conhaque. A bebida deu origem a muitos causos envolvendo outros intelectuais e artistas com quem Freyre convivia, e a quem servia o conhaque em cálices de cristal e numa pequena bandeja de prata, sobre a qual aspergia canela em pó.

O cineasta Nelson Pereira dos Santos, por exemplo, .testemunhou uma dessas histórias quando filmou o encontro do escritor com o compositor Capiba. Freyre serviu a bebida ao músico, que foi logo entornando. O anfitrião segurou no seu braço: “Antes de beber, aprecie a cor e o buquê”.

Mas Capiba não se deteve e ele insitiu: “Isto não é cachaça para ser tomada num só gole, o conhaque deve ser tomado aos poucos”. Acabou deixando o compositor sem graça, já que a cena estava sendo filmada.

Fernando de Mello Freyre deteve a receita do conhaque de pitanga do pai. Produzida em pequena escala, a bebida pode ser adquirida na lojinha da Fundação Gilberto Freyre, em Recife.

Assista:

Texto publicado originalmente no blog Almanhac, O Almanaque da Comida.

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